terça-feira, 4 de junho de 2013

SÍTIO BACOPARI (BACUPARI OU BACUPARY)

A primeira vez que vi o nome do Sítio Bacopari nos registros paroquiais de Bananeiras/PB percebi que tal localidade estava ligada à história de minha família, pois Manoel Jozé Pinto, meu pentavó, viveu naquela localidade.
No registro do batizado de BERNARDINA, filha de JOSEFA (2a. esposa) de 1856, consta que são moradores do BACOPARI e como padrinhos JOÃO JOSÉ TEIXEIRA e sua irmã ENEDINA ALEXANDRINA TEIXEIRA (existem vários registros onde aparecem também JOAQUIM JOSÉ TEIXEIRA como morador do BACOPARI, e ao que tudo indica uma ligação dessa família TEIXEIRA com a família PINTO, ainda não esclarecida, havendo indícios de que estaria ligada à ANNA JOAQUINA primeira esposa de MANOEL JOZÉ PINTO).   
IMAGEM FAMILY SEARCH
Segundo consta nos registros, o Sítio Bacopari ficava na freguesia de Bananeiras e contava, naquela época, com um número considerável de moradores, pois além dos membros de minha família, encontrei outros como, por exemplo, ANTONIO FRANCISCO DE OLIVEIRA, que batizou sua filha Joaquina em 19/01/1840.
No local havia muitos brancos, a grande maioria era de pardos, e, em menor quantidade, negros e índios. Um interessante registro é o batizado de Joaquim (16/04/1837) filho de Manoel Nunes, preto (alforriado) e Ana, “índia”, sendo padrinhos Joaquim José Teixeira e Ignácia Maria – solteiros (JOAQUIM, mencionado acima, era irmão de JOÃO JOSÉ TEIXEIRA E ENEDINA ALEXANDRINA TEIXEIRA).
IMAGEM FAMILY SEARCH

Outro registro interessante é do batismo de João, de 13/10/1937, filho de Manoel Francisco de Souza e Esmeria Maria da Pacificação (brancos), em que foi padrinho JOZÉ PINTO DE QUEIROZ, "moradores no Bacopari".  Acredito que esse JOZÉ era irmão de meu pentavô MANOEL JOZÉ PINTO (vide postagem sobre a família PINTO onde  falo sobre ele)  
Tentei encontrar a localização exata do tal sítio Bacopari, mas a única pista (sem prova documental) é que ele ficaria localizado na divisa do Solânea com Borborema, cerca de 6 km em linha reta do centro da cidade de Bananeiras.
Mais tarde encontrei um “Sítio Bacopari” localizado na zona rural de Alagoa Nova a 5 km da sede do município. E, constatei que tal localidade fica aproximadamente a uns 45 km em linha reta do centro da cidade de Bananeiras, o que significa que poderia ser também o local indicado nos livros paroquiais. Não há como dizer se um ou outro. Só sei que depois de ler o livro de Luiz Pinto (TERRA SECA*), tomei conhecimento que BACOPARI, BACOPARI OU BACURI, significa a mesma coisa: é um fruto e que este “Sítio Bacopari” estava ligado a alguns membros da família do Francisco Teixeira da Silva Pinto (vide postagem FAMÍLIA PINTO DE BANANEIRAS)
Bacopari vem do tupi-guarani e significa “fruta de cerca” por causa dos ramos ascendentes que crescem na horizontal quando a planta está nos bosques de florestas nativas.
Esse local está ligado diretamente a Manoel Jozé Pinto (meu pentavô) o qual deve ter morado naquele local por pelo menos cinquenta anos e onde muitos dos seus filhos nasceram.
É bom lembrar que nas capitanias generalizou-se, e mesmo exagerou-se, na distribuição de cartas de sesmarias14, sem qualquer sentido de limitação, quer no tocante aos requerentes, quer no tocante à extensão das terras doadas, o que logo determinou a medida de proibir-se a liberalidade, impondo-se limite máximo a cada sesmaria e evitando-se a sua concessão em número maior a cada beneficiado.
Esse limite máximo foi estabelecido em quatro léguas de comprimento por uma de largura, tendo posteriormente sofrido restrição para três, duas, uma e até meia légua. Uma légua equivale a 6.600 metros, o que dá para ter ideia da extensão das propriedades.
Somente em 1699 ficou estabelecido o limite de três léguas de comprimento por uma légua e meia de largura e, em geral, quem denunciasse o abandono das terras poderia requerê-las.
Até 1822, vigorou tal sistema. Em 1850, quando foi promulgada a Lei de Terras, o Estado adquiriu maior controle. No período compreendido entre 1822 a 1850, vigorou o princípio da ocupação efetiva do solo, ou seja, bastava estar na terra e fazê-la produzir para ser seu dono.
Esse fato é muito interessante, pois apoia minha teoria de que meus ancestrais
paternos vieram do Rio Grande do Norte para a Paraíba no século XVIII, fixando-se no Brejo Paraibano onde havia muitas terras. E, como consequência da qualidade dessas terras, passaram de criadores de gado a agricultores, investindo em café, algodão e fumo.
Com relação ao tamanho das propriedades, vemos que ao longo do tempo as sesmarias foram fracionadas (herança, dotes, permuta ou compra e venda), Passando a expressão “uma parte de terra” a ser amplamente utilizada nos documentos.
Encontramos muitas referências a “uma parte de terras” nos registros de sesmarias.
A expressão “sítio de terras” era utilizada para indicar uma extensão maior de terras do que as que nos registros falam de “uma parte de terra”. Bem diferente do sentido atual da palavra “sítio”, que equivale a uma pequena fazenda.

Assim é que, tanto o Sítio Buraco como o Sítio Bacopari (lugares relacionados a família PINTO) na verdade não eram sítios na acepção atual, mas sim uma extensão de terras maior que “uma parte de terras”, acreditando que eles deveriam ter, no mínimo, uns três quilômetros por um, ou seja, 3.000.000 m2. Com o tempo, tais “sítio” que eram habitados por uma mesma família, se transformaram em “aglomerados familiares” com média de 40/50 pessoas.

* Em Terra Seca há um capítulo dedicado ao Sítio BACOPARI, que teria sido de propriedade de Josefa (filha de FRANCISCO TEIXEIRA DA SILVA PINTO) e, posteriormente JOÃO, outro filho daquele.  Mas, infelizmente não há maiores informações da data em que teriam adquirido terras naquele local. O certo é que eu encontrei documentos que comprovam que MANOEL JOZÉ PINTO viveu naquela localidade mais de 50 anos. As outras famílias que habitavam a localidade (entre 1820/1860) eram: OLIVEIRA, SOUZA e TEIXEIRA, além de muitos índios e escravos (chamados de "pretos"). 

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