quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

MINHA ASCENDÊNCIA ATÉ o casal de cristão Novos DOMINGOS GONÇALVES e CAMILA FERNANDES.

 

1.    CAMILA FERNANDES,  casada com DOMINGOS GONÇALVES , O Pinta Diabo, viveram em Barcelos, Portugal, sendo certo que eram oriundos da cidade de Guimarães  Gonçalves.          

2.    BRANCA CARDOSO DA SILVA, viveu em São Veríssimo de Tamel  era filha de Camila Fernandes e Domingos Gonçalves Cardoso. Casou-se em  4/10/1616 com o Capitão Gregório Cardoso Cerqueira. Faleceu em 4/12/1663.

3.    MARIA ANDRADE VELOSO nasceu em 13/12/1618 em São Verissimo de Tamel, Braga, Portugal. Casou com Alexandre Pereira do Lago aproximadamente em 1645. Faleceu em 2/01/1704 em Santa Maria Vila do Prado, Portugal

4.    FELIX PEREIRA DO LAGO nasceu em 23/01/1649 Santa Maria da Vila do Prado, Braga, Portugal. Falecido em 23/11/1711 em Santa Eulália de Cabanelas, Vila Verde, Portugal. Em 14/06/1672, com o nome de Félix Pereira de Araújo, habilitou-se em genere et morius e depois de ordenado teve uma filha (Maria) com Maria Francisca, solteira

5.    MARIA PEREIRA DO LAGO, nascida em Areias do Vilar dos Frade, Vila de Barcelos, Portugal em 02/02/1685. Casou-se com Francisco Lopes em 29/07/1704, faleceu em 26/01/1742 em Santa Eulália de Cabanelas, Vila Verde, Braga, Portugal

6.    JOSÉ LOPES (PEREIRA), nascido em Santa Eulália de Cabanelas, Vila do Prado, Braga, Portugal em 28/02/1718. Casado com Roza Thereza em 18/11/1762 em San Gens de Macarome, Vila do Prado, Braga, Portugal

7.    ANNA (MARIA) PEREIRA DO LAGO, nasceu em 29/071775   em Santa Eulália de Cabanelas, Vila do Prado, Braga, Portugal. Casou-se com  Antônio Francisco Pereira em 18/11/1805, na cidade de Santa Eulália de Cabanelas, Vila Verde, Portugal.

8.    JOAQUINA PEREIRA DO LAGO, nascida Santa Eulália de Cabanelas, Vila Verde, Braga, Portugal em 20/06/1811, casada com José Custódio Gomes em 17/06/1833 em Santa Eulália de Cabanelas, Vila Verde, Braga. Portugal

9.    MANOEL PEREIRA GOMES, nascido em Santa Eulália de Cabanelas, Vila Verde, Braga, Portugal, em 6/08/1842. Casou com Maria das Mercês Botelho de Medeiros em 6/11/1871, em Três Rios, Estado do Rio de Janeiro, Brasil. Faleceu em Três Rios, RJ, Brasil em 14/03/1916,

10. ELVIRA PEREIRA GOMES, nascida na cidade de Três Rios, Estado do Rio de Janeiro, Brasil em 20/10/1883, casada com Pierre Audebert em 29/02/1908 em Três Rios, Estado do Rio de Janeiro, Brasil.  Falecida no Rio de Janeiro, estado do Rio de Janeiro –RJ , Brasil, sem data conhecida.

11. DAGMAR DE OLIVEIRA PINTO, nascida na cidade do Rio de Janeiro – Estado do Rio de Janeiro, Brasil, em 10/03/1917, casada com Raimundo de Oliveira Pinto . Falecida em 18/12/2004 em Brasília, Distrito Federal, Brasil  (minha mãe)

 

segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

OS CRISTÃOS NOVOS CAMILA FERNANDES e DOMINGOS GONÇALVES (O ‘PINTA DIABOS”) PARTE II

PARTE II

Além do Caderno de Bivar, dos apontamentos do Gayo, temos ainda alguns processos que confirmam a origem judaica Sefardita da FAMÍLIA PEREIRA DO LAGO.

Inicialmente, devemos observar que o casal CAMILA FERNANDES (que aparece também como Camila Fernandes de ANDRADE) e DOMINGOS GONÇALVES, o Pinta Diabos (que aparece como Domingos Gonçalves CARDOSO ou Domingo Gonçalves PINTO), foram os pais de BRANCA CARDOSO DA SILVA, a qual viveu em São Veríssimo de Tamel *, foi casada com o Capitão GREGÓRIO VELOSO CERQUEIRA.

Casamento   


"Aos quatro dias do mês de outubro do anno de seiscentos e dezesseis foram recebidos por palavras de presente na forma do sagrado concílio tridenttino Gregório Velloso da freguesia de Sª Mª de Galegos com Branca Cardoso, irmã deste abade João Cardoso, da Villa de Barcellos. Estando por testemunhas Gonçalo Rebello da Villa de Prado e Sebastião da Rocha Pimentel da Villa de Prado e do Licenciado Hieronimo Coelho da Villa de Barcellos e Matheus Gonçalves vigário de Sta. Marinha de Remelhe que recebeu a eles noivos..".

Esse registro nos dá a informação e que Branca Cardoso era irmã do abade João Cardoso, de Barcelos, como também a origem de Gregório Veloso como sendo da Freguesia de Santa Maria de Galegos. E, uma forte ligação com a Vila do Prado, local das testemunhas do casamento (tempos depois a filha do casal, MARIA. Se casa com ALEXANDRE PEREIRA DO LAGO que era da Vila do Prado).

O mesmo abade João Cardoso batizou a sobrinha Maria, filha do casal, em 13/12/1618 


"Aos treze de dezembro de seiscentos e dezoito baptizei eu João Cardoso, abade de S. Veríssimo a Maria, filha de Gregório Velloso, meu cunhado e freguês. Foram compadres o reverendo abade de xxxx Baltazar Gonçalves e comadre Izabel Vellosa, sua avó, da freguesia de Santa Maria de Galegos e por assim passar na verdade aqui ponho minha fé..."

 Gregório nasceu por volta de 1580 e era filho do Capitão Pedro Alvares de Freitas e Isabel Veloso Cerqueira. Faleceu em 03/03/1638, em São Veríssimo, Tamel. (A freguesia de Galegos era vizinha a Freguesia de São veríssimo)

Justamente Gayo, no já citado Nobiliário de Famílias de Portugal, na página 295 dispõe que Maria de Andrade como sendo filha de Branca e de Gregório e neta de CAMILA FERNANDES E DOMINGOS (consta como sendo DOMINGOS FERNANDES e não DOMINGOS GONÇALVES, o que foi um erro do historiador)

 

 


 Vemos que esse cita os filhos do casal ALEXANDRE PEREIRA DO  LAGO e MARIA DE ANDRADE, dentre eles FELIX PEREIRA DO LAGO, que foi abade de Cabanelas.

No processo de INQUIRIÇÃO DE GENERE de FÉLIX PEREIRA DO LAGO (também conhecido como FÉLIX DE ARÁUJO PEREIRA) de 1672, peça chave na comprovação da ancestralidade judaica da família, inquisidor concluiu pelo impedimento de Félix haja vista ter descoberto que este “por parte de sua mãe tem parte de cristão novo”.


https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:3QS7-89CZ-33JK?i=16&wc=SSVC-8PN%3A363117701%2C363515401%2C363523101%2C363524701&cc=2125025

Já no processo de ADRIANO DE AZEVEDO, de 1691, filho de Gabriel de Azevedo e de sua mulher Hierônima de Andrade Veloso, natural da freguesia de São Veríssimo de Tamel, disse ser Hierônima, filha legítima de Gregório Veloso e de sua mulher BRANCA CARDOSO, esta filha de CAMILA FERNANDES.

 


O impedimento procedeu da via materna do então embargante e de sua bisavó CAMILA FERNANDES (por se dizer que Hieronima e Branca eram sobrinhas das judias chamadas Ricas). 


... João Card
oso era da nação hebreia por ser filho de CAMILA FERNANDES natural que foi da Vila de Barcelos mulher de DOMINGOS GONÇALVES CARDOSO

 https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:3QS7-L9HY-R49B?cc=2125025

Na habilitação para familiares do Santo Ofício de ALEXANDRE PEREIRA DO LAGO, do ano de 1715, neto do ouvidor ALEXANDRE PEREIRA DO LAGO, casado com a MARIA DE ANDRADE, bisneto de Branca Cardoso, trineto de Camila e Domingos Gonçalves,  a maioria das testemunhas ouvidas confirmaram a fama de cristãs novas de BRANCA CARDOSO   e  de sua filha   MARIA DE ANDRADE VELOSO,   apesar de não conhecerem a origem da fama atribuída às mesmas e seus descendentes, apenas conjecturavam, sendo que alguns,  por ouvirem dizer de seus pais ou outras pessoas já falecidas,  acreditavam que isso se devia ao fato de que BRANCA CARDOSO, “ter se “criado em Barcelos em casas de umas judias,  a  quem chamavam as RICAS, e que não tendo herdeiros lhe deixaram os seus bens”.

Após serem ouvidas várias pessoas acerca da “limpeza de sangue de ALEXANDRE PEREIRA DO LAGO”, a conclusão do inquisidor foi de que por parte de sua avó materna, chamada Maria de Andrade Veloso, casada com seu avô Alexandre Pereira do Lago – seu homônimo, “era o dito habilitante tido e havido por cristão novo e assim era a fama geral e constante”....e “tão geral e vulgar é esse defeito de sangue que se opões ao habilitante que me parece o não ignorar aquelas pessoas que dele algum conhecimento tem”.



A habilitação está incompleta .

http://digitarq.arquivos.pt/viewer?id=2344089

 O último foi a habilitação para familiar do Santo Ofício de JERÕMINO PEREIRA DO LAGO, onde Domingos Gonçalves e Camila Fernandes são citados como pais de três filhos: JOÃO CARDOSO, que se ordenou de ordens santas e foi Abade da dita freguesia de São Veríssimo de Tamel, MANOEL CARDOSO que também foi sacerdote e faleceu em Barcelos e BRANCA CARDOSO, avó de Jerônimo, filha de CAMILA FERNANDES das partes de Fonte Arcada, concelho de Lanhoso, como era tradição servir a Barcelos umas mulheres chamadas RICAS que padeciam fama de cristãs novas.






  https://digitarq.arquivos.pt/viewer?id=2329727

Assim, diante de todas essas provas podemos afirmar que DOMINGOS GONÇALVES e CAMILA FERNANDES eram cristãos novos e que seus descendentes, por muitos anos, carregavam consigo a fama de seus ancestrais.

domingo, 10 de janeiro de 2021

OS CRISTÃOS NOVOS CAMILA FERNANDES e DOMINGOS GONÇALVES (O ‘PINTA DIABOS”) PARTE I

OS CRISTÃOS NOVOS CAMILA FERNANDES e DOMINGOS GONÇALVES (O ‘PINTA DIABOS”) 

PARTE I


Em janeiro de 2019, fiz uma postagem sobre os PEREIRA DO LAGO (ascendentes e descendentes brasileiros), ocasião em que apontei a origem judaica Sefardita dos mesmos. E, nessa postagem vou acrescentar alguns dados que acredito serem valiosos para a história de nossa família.

Começando por ALEXANDRE PEREIRA DO LAGO, que foi batizado a 25 de outubro de 1629, era filho de MANUEL PEREIRA DO LAGO e de PLÁCIDA FRAGOSO PEREIRA, se casou em Santa Maria da Vila do Prado, aproximadamente em 1645, com MARIA ANDRADE VELOSO, filha de BRANCA CARDOSO DA SILVA e do Capitão GREGÓRIO CARDOSO CERQUEIRA, neta materna dos cristãos novos CAMILA FERNANDES e de DOMINGOS GONÇALVES (o “Pinta Diabos”), o que é confirmado, por Luís de Bivar Guerra, em “Um caderno de Cristão Novos de Barcelos”.

Nele Bivar fez uma transcrição e análise de um caderno apensado à uma habilitação familiar do Tribunal do Santo Ofício a que se submeteu Álvaro Barbosa Escobar Lopes de Barros (arquivada na Torre do Tombo), onde reproduz a genealogia das famílias cristãs novas de Barcelos, encabeçada pelos genearcas.

No título 14, que fala da “DA RICA”, temos que Amador Fernandes Furtado, mercador em Guimarães, era cristão novo e sobrinho da RICA e da mulher de DOMINGOS GONÇALVES “o Pinta Diabos”.

 


 Na nota número 18 (abaixo) temos que Amador Fernandes Furtado, era filho de Jorge Fernandes Furtado e Catarina Alvarez.

 

Consultando Gayo, temos a informação de que AMADOR FERNANDES FURTADO, pai de Silvestre Furtado que era cristão novo, era filho de JORGE FERNANDES FURTADO e de CATARINA ALVARES, também eram cristãos-novos, sendo certo que CAMILA FERNANDES era tia de AMADOR, e, portanto, cristã nova. Fato esse que Gayo, no Nobiliário de Famílias de Portugal, pág., 295, fala que CAMILA FERNANDES DE ANDRADE, é avó de MARIA DE ANDRADE, casada com ALEXANDRE PEREIRA DO LAGO.

Há também uma habilitação familiar do Santo Ofício (maço 10, documento 113 de 1715) de que Alexandre Pereira do lago, sargento Mor em Vila do Prado, filho de Martinho Teixeira da Silva, neto materno de ALEXANDRE PEREIRA DO LAGO, da Vila do Prado, e Maria de Andrade Veloso, filha de Gregório Veloso Cerqueira e Branca Cardoso da Silva, de São Veríssimo, Tamel, Termo da Vila do Prado. Outro documento que confirma a origem de Branca como filha de CAMILA FERNANDES.

Na habilitação do padre FELIX DE ARAÚJO PEREIRA DO LAGO (14/06/1672), tio de ALEXANDRE e também de JERÔNIMO PEREIRA DO LAGO, era filho de Maria de Andrade,  neto de Branca  Cardoso e bisneto de CAMILA FERNANDES, consta ter ele afirmado que por parte de mãe tinha cristão novo, referente a sua bisavó, embora ele tenha tentando esconder essa origem já que os judeus, cristãos novos, mouros eram perseguidos na época e não podiam pertencer aos quadros da Igreja, que só admitiam aqueles "puros de sangue".

Na habilitação de JERÔNIMO PEREIRA DO LAGO, que está disponível on line no Family search - Processo de Habilitação Braga/Vila Verde/Cabanelas - Pasta 21855, 1754) ele diz ser cristão velho, sem judeu, mouros ou cristão novo. Todavia, isso não era verdade, mas se justifica por conta da perseguição que era tão grande em Portugal, que em alguns lugares como Barcelos e Guimarães esconder a origem judaica familiar (de ventre materno) era fundamental para a própria sobrevivência. Jerônimo diz ser neto paterno de Francisco Lopes e sua mulher Maria Pires e pela paterna de Felix Pereira do Lago (Abade) e Maria Francisca.

Também no processo de Inquirição de Genere de ADRIANO DE AZEVEDO, de 1691, consta ser filho de Gabriel de Azevedo e de sua mulher HIERÔNIMA DE ANDRADE VELOSO, natural da freguesia de São Veríssimo de Tamel e filha legítima de Gregório Veloso e sua mulher BRANCA CARDOSO, esta filha de CAMILA FERNANDES. O impedimento procedeu da via materna do então embargante e de sua bisavó CAMILA FERNADES e de DOMINGOS GONÇALVES (por se dizer que Hieronima e Branca eram sobrinhas das judias chamadas Ricas).

Essa é origem judaica sefardita da família PEREIRA DO LAGO ( também os descendentes  Pereira Gomes no Brasil) que vem do casal CAMILA FERNANDES e seu marido DOMINGOS GONÇALVES, o Pinta Diabos, que viveram em Barcelos/Portugal, que teriam  nascido por volta de 1550/1560.

 

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

JUDEUS EM PORTUGAL - A CONVERSÃO FORÇADA DE 1497

 

Inicialmente, devo registrar que há referências da presença de judeus na Península Ibérica desde a Antiguidade. Durante séculos os judeus que viviam no território que hoje conhecemos como Portugal e Espanha não tiveram maiores problemas. Mas, na medida que o tempo passava, tal comunidade prosperou devido, principalmente, ao grande comércio português, com participação significativa dos judeus. Tal situação gerou insatisfação na população não judaica, principalmente pelo fato das comunidades judaicas acumularem grandes fortunas e controlarem o comércio local.

O fato dos judeus terem religião própria, com suas tradições foi de encontro a fé católica, que culpava os judeus pela morte de Jesus Cristo. Somando-se a isso as grandes fortunas acumuladas por eles, baseada na usura que os judeus praticavam nas transações comerciais, o que via de regra, causava disputas econômicas e discórdias acabou por dar origem a uma série de acontecimentos que lhe foram desfavoráveis.   

Em 1492, os reis FERNANDO e ISABEL, emitiram o Decreto de Alhambra, expulsando os judeus dos reinos de Castela e Aragão, o que culminou em uma migração destes para as fronteiras com Portugal onde procuraram abrigo. Muitos refugiados esperavam que o decreto de expulsão fosse revogado, possibilitando assim o regresso a Espanha. Fato esse que não aconteceu.

Em 1496, D. Manoel I (apelidado de o Venturoso) de Portugal casou com D. Isabel I (filha dos reis católicos, Fernando e Isabel, que emitiram o decreto de expulsão dos judeus). Uma das condições do casamento era que o rei português devia expulsar os judeus de Portugal.

Já no mês seguinte ao casamento ele decretou a ordem de expulsão dos judeus (e dos mouros também). Caso não o fizessem seriam condenados à morte e todos seus bens seriam confiscados pela coroa. Uma época terrível para os judeus. Mas, tal decisão não foi muito bem vista pelo Conselho de Estado, vez que com a saída dos judeus de Portugal ocorreria também a saída de capitais do país, prejudicando a economia nacional.

Em consequência, temendo a derrocada financeira de Portugal o rei D. Manoel I ordenou que aqueles que se convertessem ao cristianismo poderiam permanecer no país. Dando o prazo para que esses judeus fossem batizados até a Pascoa de 1497. Os que não conseguiram fugir foram convertidos forçadamente.

Os que saíram do país levaram grande parte de suas fortunas, o que levou o rei em 1499 a proibir negócio (comércio) com os judeus e impedia os conversos de saírem do reino sem prévia autorização.

Muitos dos convertidos, chamados de cristãos novos (XN) conservaram a fé e as tradições judaicas, ou seja, continuaram a praticar o judaísmo ainda que em segredo, Só se convertiam na palavra.

Por conta de um incidente que ocorreu em abril de 1506, envolvendo um cristão novo e cristãos velhos, uma série de conflitos ocorreram. Muitos cristãos novos foram assinados, queimados em fogueiras e seus bens pilhados.  Massacres ocorreram em Lisboa. Arrombavam portas de casas, em busca de cristãos novos os quais eram queimados vivos. Mais de 3 mil pessoas morreram em apenas 3 dias.

Em Barcelos, cidade antiga da região do Minho (que desde 1177 já era mencionada) havia um “bairro” exclusivo de judeus, pelo menos desde 1369. Tal bairro estaria próximo ao Hospital, perto da praça da vila que tinha uma sinagoga. Na época da expulsão contava com dois rabinos, e a Judiaria de Barcelos ficava na Rua Nova, que depois chamou-se Rua dos Lanterneiros (atualmente Rua do Infante D. Henrique). À comuna judaica integravam-se um outro grupo de cristãos-novos vindos doutras localidades, notadamente Guimarães e Porto. Doravante, as fronteiras étnicas foram-se erodindo quer pelo casamento, quer pela conversão. 

O mais interessante documento conhecido, segundo Manuel Abranches de Soveral, sobre os nomes adaptados pelos judeus batizados é uma genealogia dos cristãos-novos de Barcelos, escrita nos finais do século XVI, onde se inventariam todos os cristãos-novos da cidade, começando cada família com o judeu batizado (cristão novo), dando o seu nome original e, logo após, o nome que então adotou.

Cabe ressaltar, que foi regra geral à época, os judeus convertidos terem adotado patronímicos portugueses. Naquele tempo, da conversão, a comunidade era pequena. Segundo consta, dois de seus membros eram vistos como Rabinos: Mestre Thomáz da Victória e Isaac Cohen, ambos casados e com grande descendência. Os outros eram Francisco Netto e a esposa Velida Ruiva, Micol e Junca Montezinho, Velida e Isaac Rua, Rica e Mosén Montezinho, os castelhanos Benvinda e Junca Bencatel; Salomão Pés e sua esposa Mazaltov (filha do Rabino Cohen) e o casal Orovida e Santo Fidalgo – personagens deste ensaio genealógico.

E de Rica, minha ascendência, a qual tratarei em outra postagem no blog.

A esses judeus se integravam um grupo de cristãos-novos, como a família dos “Piolhos do Rabo”, vinda de Guimarães; dos “Salta em pé”, os “Cains” e as irmãs tripeiras de Vitória Braga.  Através das alianças comerciais ou matrimoniais essas famílias permaneceram unidas, não sendo difícil encontrar várias entroncadas. Talvez seja pela hostilidade local, já eu odiavam os judeus, o fato é que essas famílias permaneceram unidas por muito tempo.

Um fato interessante é que sessenta anos depois desta Conversão, observado o prazo da tolerância para a inserção, a Inquisição prendeu 23 cristãos-novos oriundos deste grupo. Pelos depoimentos é possível constatar que ainda restavam traços do Judaísmo nestas pessoas (GUERRA, Luis Bivar). Quase todos ainda “guordava ho sábado milhor q. pudia”, “assendia as suas candeias” e vestiam “camisas lavadas”. Lembravam-se do Yom Kippur (Dia do Perdão), “não comendo senão hua vez a noute”. Jejuavam várias vezes, o jejum da Rainha Esther e “o da destruição do tempollo de Jerusalém (o 9 de Av). Observavam o Pessach (Páscoa). GUIOMAR FERNANDES casherizava (fazia a comida de acordo com as leis alimentares judaicas), “desnervava a carne”. Todos acreditavam que “não era vyndo o mexias”. Maria Zores acrescentava que “avia de vir ate ho anno de sessenta”.

Válido lembrar que era proibido o funcionamento de sinagogas, os textos sagrados do judaísmo, e, vedado alguém ser rabino. Mas, uma grande parcela desses cristãos novos continuaria a judaizar secretamente, ameaçando o catolicismo, sendo esta, inclusive a causa primaz para a instauração do Tribunal do Santo Ofício em Portugal a partir de 1536. Consequentemente, as principais vítimas (cerca de 80%), das quais mais de quarenta mil pessoas envolviam cristãos novos, em grande parte, acusados de judaísmo.

Muitos dos meus ancestrais, assim como de muitos brasileiros, descendem deles. Mais de 500 anos se passaram da conversão obrigatória de Portugal, e, foi por reconhecer a injustiça com esse povo que Portugal editou em 2015 o Decreto- leu 30_A/2015 que passou a conceder a nacionalidade portuguesa aos descendentes dos judeus Sefardita.

Pelo interesse na nacionalidade, muitos brasileiros foram atrás de suas arvores genealógicas até chegarem ao seu ancestral cristão novo (cerca de 12 a 19 gerações acima da sua) e buscam junto à COMUNIDADE ISRAELITA DE LISBOA (CIL) a certificação de ser descendente (condição primária para a concessão da nacionalidade portuguesa).

Em consequência, ocorreu um aumento de sites de genealogia e publicações de livros a respeito, pois como disse anteriormente, são muitos os brasileiros descendentes dos cristãos novos. Eu descendo de alguns, Pelas minhas pesquisas, pelo menos 5 - até agora- comprovados por documentos (postagens no blog).