terça-feira, 11 de dezembro de 2012

BANANEIRAS, SOLÂNEA E ARARUNA




capítulo VII

BANANEIRAS , ARARUNA e SOLÂNEA
Diizem que desde 1716 se registra a presença do colonizador em Bananeiras. No entanto, somente a partir de 1740 existem provas que demonstram a fixação do “homem branco” naquela localidade, sendo que em 1780 já era notável, para a época, o número de habitantes.
A cidade tem seu nome ligado a “pacoveiras”, que é um tipo de bananeira rústica, imprópria para o consumo humano. Por se situar no Brejo Paraibano, era conhecida também como Brejo das Bananeiras.
Em 2010, sua população foi estimada em 22.316 habitantes distribuídos em uma área territorial de 258 km² (município). Localizada na Serra da Borborema, no Brejo Paraibano, a 141 km da capital da Paraíba (João Pessoa), 150 km de Natal (capital do Rio Grande do Norte) e a 70 km de Campina Grande. Tem altitude de 526 metros.
São antigos habitantes da região, entre outros, conforme livro de Batismo de Mamanguape de 1785:
José Lopes de Mendonça, Francisco Rodrigues, Manoel Gomes, Dionízio Vieira, Bernardo Soares de Oliveira, Jozé Henriques da Costa, Antonio Gomes de Mendonça, Bernardo Barbosa, Amaro Gonçalves, Silvestre Pereira, João da Costa, Manoel Antonio Vieira.

Nos livros paroquiais (1837 em diante) há menção de várias localidades com considerável número de habitantes: Morcego, Mijona, Aldeia, Buraco, Tapera, Calabouço, Dona Inês, Rio Jacaré, Olho d´Água Seco, Pilões, Boa Vista, Limão, Bom Sucesso, Lagoa do Mathias, Lagoa da Tapuia, Maniçoba, Angicos, Bacupary, Olho d’Água da Aldeia, Capivara, Gravatá, Roma, Lagoinha, Genipapo, Serra da Confusão, Serra de Araruna, Varzea de Tacima, Curumataú, etc

A leitura dos livros paroquiais, a partir de 1836, dá idéia do que se passava na vila e nos arredores. Havia muitos casamentos de jovens viúvas/viúvos. Não era raro uma pessoa casar-se duas ou três vezes ao longo da vida. E, não demoravam muito a se casar, muitas das vezes com um parente próximo do falecido que fosse irmão, irmã, tio, tia ou sobrinho.
A população era constituída de cerca de 42% de brancos, 14% de escravos e índios e o restante, 44 %, de “pardos". Havia muitos filhos naturais, ou seja, frutos de união ilegítima quando os pais não eram casados na Igreja Católica. Em grande parte destes (96 %) constava no registro somente o nome da mãe, fosse ela branca, parda, índia ou negra.
Os escravos eram caros. Logo, ter um representava “status”. Até os padres tinham, não um, mas três ou quatro.
Nos livros paroquiais de Araruna  encontramos o batismo de Manoel, filho de Justina, escrava do padre Emígdio do Rego Toscano, morador “nos Pilões”,nascido em 15 de março de 1873. O padre não só realizou a cerimônia como também foi o padrinho da criança.
Encontrei registros de apenas dois portugueses nos livros paroquiais de Bananeiras, ambos da região do Minho, em Portugal, o que significa que por volta de 1830/1850, em Bananeiras, a população era toda de brasileiros . Nada de estrangeiros. 
Só para constar, um desses portugueses era ANTONIO PAES CUNHA MAMEDE, que batizou seu filho PHILADELPHO no dia 29/09/1838 (Livro de Batizados de Bananeiras – fl. 79v).
No livro de óbitos, verifiquei que muitas mulheres morriam de parto ou de abortos. Em uma só página de um livro paroquial encontrei quatro mulheres que faleceram desta forma.
Partos duplos eram raros, só encontrei cinco registros em todas as minhas pesquisas. Um em Caicó (RN), três em Mamanguape e outro em Bananeiras. Esses últimos eram filhos de Germana Maria, e se chamavam COSMA E DAMIÃO nascidos no dia 04/11/1837 e batizados no dia 10/11/1837.
Desde 1762 já eram realizados casamentos e batismos na Capela de Bananeiras, como comprova um livro paroquial de Mamanguape , onde consta o casamento de Gonçalo com Thereza Inácia, ambos escravos do capitão Carlos Ferreira, todos moradores de Bananeiras.
Em 1811 há um aumento no número de crianças batizadas. E, pelo número de casamentos realizados na Capela de Bananeiras em um só dia (13/02/1812), registrados no livro de Casamentos de Mamanguape de 1812, a povoação já era considerável. Só neste dia casaram-se JOSÉ CARDOSO e FRANCISCA
MARQUES, ANDRE FERNANDES DA SILVA e FRANCISCA CAMELO, SERAFIM ALVES e FRANCISCA MARIA, ANACLETO PEREIRA e ANA FRANCISCA, ANTONIO ELIAS e IGNÁCIA, entre outros casais.
Numa simples consulta aos livros de Mamanguape, vemos que muitos eram “naturais das Bananeiras”, como no registro do casamento de João da Silva do Espírito Santo com Francisca em 13/07/1818, que diz ser o noivo de Bananeiras e a noiva do Brejo de Areia.
Até nos livros paroquiais de Caicó (RN), de 1825, como por exemplo, o registro do nascimento de Antonio, filho de Antonio José de Souza, que disse ser natural de Bananeiras, da freguezia do Brejo de Areia  comprova a grande mobilidade na região.
Em consequência, não me causou espanto saber que tanto Joaquim José Pinto como Inácia Maria haviam nascido em Bananeiras, mais especificamente no sítio Buraco, entre 1815/1824, pois desde o século anterior muitas famílias já habitavam a região, sendo considerável o número de habitantes para aquela época.
O mais antigo registro que encontrei data de 1785, feito na Capela das Bananeiras, como segue:

Pedro, filho de Jozé Lopes de Mendonça e de sua mulher Maximmiana Thereza foi baptizado de idade de hum mez na capella de Nossa Senhora do Livramento das Bananeiras, filial desta Matriz pelo Reverendo Antonio Leite Barreto de minha licença, aos vinte e quatro de outubro de mil setecentos e oitenta e cinco”.
No livro Memórias, de João Carlos Feo Cardozo de Castello Branco e Torres (Paris, Fantin, 1825) que conta a viagem a “Mamangoape” iniciada em 22/02/1805 consta “ ...Capitania Mor de Mamanguope... tem a capitania 30 legoas de extensão e 12 de largura na costa. Compreende duas villas, huma povoação maior, e outras mas pequenas em diversos destrictos, a saber Camaradatuba, Brejo da Areia, Serra da Raiz, Bruxaxá e Bananeiras”.

Araruna
É um município localizado na microrregião do Curimataú Oriental no estado da Paraíba. Está distante 165 km de João Pessoa, capital do estado, cerca de 110 km de Campina Grande, 120 km de Natal, capital do Rio Grande do Norte, 70 km de Santa Cruz (RN) , 32 km de Bananeiras (PB) e 30 km de Solânea
(PB).
Há divergências quanto ao início da povoação, mas é quase certo que isso tenha ocorrido por volta de 1800. Nos antigos livros paroquiais de Mamanguape, há muitas referências de moradores na “Serra d’Araruna”, isto por volta de 1810.
Araruna virou freguesia em 1854, desligando-se de Bananeiras. Um caminho ligava Araruna à Santa Cruz.
Minhas pesquisas sobre essa cidade não estão concluídas, há uma lacuna muito grande acerca das famílias SOUZA e RIBEIRO. Para esclarecer, faz-se necessária a pesquisa de documentos administrativos da capitania, aos quais ainda não tive acesso.
O mais antigo registro que encontrei nos livros paroquiais de Mamanguape data de 1810.

Manoella, filha de Antonio de Aguiar e de sua mulher Simoa Gomes da Silva, moradores desta freguezia de Mangoape foi baptizada na Serra de Araruna pelo reverendo administradorFrancisco Rodrigues da Rocha sob licença minha e lhe pus os santos óleos a trez de septembro de mil oitocentos e dez, tendo trez meses de nascida, forão padrinhos Manoel Inácio Soares e sua mulher Victória Gomes, do que para constar mandei fazer este termo que assinei

 

Solânea
É um município do estado da Paraíba localizado no Curumataú Oriental. Possui, de acordo com o IBGE (ano de 2010), uma população estimada em 30.598 habitantes.
Segundo consta na “história oficial da cidade” sua fundação data de 1750- 1800. E, conforme tal versão, “ um dos descendentes dos colonizadores da família Soares Cardoso Moreno, vindo do Ceará, fixou moradia nas terras planas, com fazenda de gado e engenho e, por volta 1832, iniciou a edificação do povoado que ficou conhecido por Chã de Moreno”.

Em 1953, o antigo nome de MORENO foi mudado para SOLÂNEA, em homenagem ao fumo, que é da família das Solanáceas e, que na época, representava a principal cultura do local, caracterizada por ser uma das riquezas da região.
Foi distrito do município de Bananeiras por algum tempo. Consta na versão oficial do município que “...a colonização das terras do atual município teve início nas primeiras décadas do século XVIII quando foram concedidas sesmarias a Domingos Vieira e a Zacarias de Melo. Quanto à data da fundação de Solânea desconhece-se. Entretanto, em 1926, a localidade tornou-se sede do Distrito com a denominação de Moreno, em homenagem a seu fundador membro da família Soares Moreno.” (fonte IBGE).

Já na página oficial da prefeitura consta que “..a fundação, propriamente ditaé atribuída aos habitantes que povoaram a região, por volta dos anos de 1750-1800".
 Segundo a história oficial, um dos descendentes dos colonizadores da família Soares Cardoso Moreno,
vindo do Ceará, fixou moradia, nas terras planas, com fazenda de gado e engenho.

Quando iniciei minhas pesquisas em 2004, o primeiro documento que obtive em Bananeiras, qual seja a certidão de nascimento de Rita – filha de Emígdio José de Souza Pinto e Isabel Francisca de Oliveira constatei que, por volta de 1890, o casal estava residindo em Moreno.
Naquela oportunidade, eu consegui um mapa do município de Solânea, o qual me foi muito útil posteriormente para as pesquisas que me conduziram ao local
onde parte de minha família paterna se fixou e viveu durante algum tempo. 
No mapa, verificamos que alguns dos lugares permanecem com o mesmo nome que tinham no início do século XIX, como Jacaré, Aldeia, Chá do Moreno,Covão, Lajes, Matinhas, Olho d’Água e Fazenda Velha.
É certo que Emígdio tinha terras na Chã do Moreno onde cultivava fumo na última década do século XIX. Por sua vez, José Paulino Borges e Alexandrina de Souza Pinto (filha de Emígdio) também foram proprietários de terras em Moreno, na Aldeia, onde desenvolveram a mesma atividade de Emígdio.
Isabel Alexandrina Borges, minha avó, nasceu na Aldeia em 1902.
Assim, passei a me interessar mais pela história do local e, mais uma vez, foi grande a decepção, pois não encontrei nenhuma pesquisa, livro ou informação mais consistente sobre a história da cidade.
Fui então à busca de documentos que me fornecessem os dados que eu desejava.
E, qual não foi minha surpresa quando descobri que Solânea é bem mais antiga do que consta na história oficial, vez que está ligada diretamente à história indígena.
Constatei que a área atual do município já era habitada há pelo menos 3.000 mil anos, ou seja, muito antes de 1500, data do descobrimento do Brasil pelos portugueses. No século XVI a população indígena era considerável.
No antigo sertão da Copaoba, citado por Elias Herckman, existia a “ vila de Ararembé, forte e populosa, que segundo Olavo de Medeiros Filho se localizava, peloMapa de Marcgrave, na região hoje ocupada por Solânea e Bananeiras

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