sexta-feira, 31 de maio de 2019

IRLANDESES NA BAHIA - 1830

O serviço militar obrigatório, adotado no Brasil, para cidadãos do sexo masculino que completem 18 anos de idade, se tornou lei em janeiro de 1906.
Antigamente, muitas nações reforçavam os seus exércitos com tropas mercenárias contratadas no estrangeiro, as quais se envolviam em guerras, não para defender uma bandeira ou nação, mas para lutar por dinheiro - quem pagava mais.
No século XVIII, os soberanos de certos principados da Alemanha exploraram seus batalhões alugando-os para quem necessitasse à exemplo do Inglaterra que era freguesa desse tipo de mercado.
Muita gente não sabe mas nas lutas pela consolidação da Independência do Brasil, ocorridas entre 1821 a 1825, D. Pedro I se valeu de mercenários, sendo a maioria da Alemanha e da Irlanda.
Dizem que muitos dos elementos que foram trazidos para o Brasil eram de criminosos tirados das prisões alemãs que chegavam aqui algemados ou amarrados. Em relação aos irlandeses a grande maioria eram de gente pobre que passava forme e via nas guerras a unica forma de ganhar algum dinheiro e poder sobreviver.
Quando chegaram aos Brasil os mais aptos eram incorporados à tropa e mandados para o Sul sob a promessa de que uma vez terminadas as lutas ganhariam terras e outras recompensas.
Mas, finda a campanha esses mercenários foram enviados ao Rio de Janeiro.
Não se sabe o número correto desses indivíduos, mas calcula-se cerca de 3 mil, ou seja, um numero razoável considerando que toda a população do Rio de Janeiro na época não ultrapassava a 270 mil habitantes. 
Esses mercenários foram mal alojados. Não recebiam comida suficiente e nem pagamento. Também não viram com o correr do tempo disposição do governo de serem cumpridas as promessas e se tornaram rebeldes, com a sublevação de três batalhões do Corpo de Estrangeiros.
Para reprimir a revolta o governos solicitou ajuda de forças tarefas francesas e inglesas. O cenário foi de cenas de horror. Onde quer que aparecesse um alemão ou irlandês , fizesse ou não parte dos revoltosos, eram trucidados. Morreram cerca de 200 mercenários e outros tantos ficaram feridos. 
Vale ressaltar, que desde 1826 se discutiam  projetos de naturalização de estrangeiros, sob a justificativa de que era necessário povoar o Brasil. E, que em 1927 aqui chegaram mais de 945 colonos irlandeses que se somaram aos mercenários.
Diante da revolta dos mercenários e do quadro negativo que se apresentava, foram deportados cerca de mil e quatrocentos irlandeses, mas uma parte foi enviada para o Sul da Bahia, numa tentativa fracassada de colonização. E, 101 famílias foram encaminhadas para Salvador onde permaneceram até 1830.
Com o tempo a comunidade de irlandeses foi se desfazendo aos poucos e seus integrantes se espalharam pela província (Bahia) e todo o Nordeste.
O que justifica, em parte, muitos nordestinos possuírem uma herança genética desses ancestrais.
Infelizmente, poucas pesquisas foram feitas neste sentido. Os sobrenomes que foram aportuguesados dificulta ainda mais a pesquisa genealógica. 

# Essa postagem é consequência da discussão em grupos de genealogia genética da perplexidade de alguns diante da forte carga genética nos testes de DNA da "ancestralidade inglesa",  que engloba a Irlanda , mormente em pessoas da Bahia.    
     
  

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