quinta-feira, 6 de julho de 2017

PEDRO PAULINO BORGES (SOLÂNEA/PB)


PEDRO PAULINO BORGES, que também aparece nos registros paroquiais como Pedro José Paulino e Pedro Paulino Borges de Oliveira, viveu na Aldeia (Solânea/PB) local onde provavelmente nasceu. Faleceu no mesmo lugar em 26/01/1903, ocasião em que contava com mais de 70 anos de idade, deixando, além da viúva BERTHOLINA MARIA DA CONCEIÇÃO, filhos, netos e bisnetos.
Pela tradição oral da família PEDRO PAULINO era filho de portugueses. Contudo, não encontrei documento que comprovasse tal afirmação ou sua filiação. Em consequência, impossível estabelecer laços de parentesco com outras pessoas que também ostentavam o sobrenome BORGES na mesma época e lugar (freguesia de Bananeiras/PB meados do século XIX).
Convém ressaltar que, por volta de 1840/1860 em Bananeiras /PB, existiam poucas pessoas com o sobrenome BORGES, sendo se pode constatar nos registros paroquiais que todas elas eram aparentadas entre si. São eles: JOAQUIM FRANCISCO DE BORGES, JOSÉ JOAQUIM BORGES, FRANCISCO PINHEIRO BORGES, MARTINIANO JOSÉ PINHEIRO BORGES e FRANCISCO DE BRITTO BORGES, sendo que pelo menos três desses eram portugueses.
Quanto a PEDRO PAULINO BORGES ele foi casado com BERTHOLINA MARIA DA CONCEIÇÃO nascida por volta de 1840. O casal morou em Olho d’água da Aldeia (Solânea), local onde nasceram seus filhos e onde Pedro Paulino tinha terras.
Após seu falecimento em 1903, foi aberto o inventário, sendo inventariante a viúva BERTHOLINA e constavam como herdeiros os filhos e netos a seguir:
1) MANOEL PAULINO BORGES, aparece como sendo solteiro em 1903, mas não consta a idade. Seu sobrinho homônimo, filho de seu irmão JOAQUIM, (nascido em 1894) se casou em Araruna, onde viveu muitos anos, deixando descendentes naquela localidade.
2) JOÃO PAULINO BORGES, nascido em 26/09/1962 e casado em 08/09/1891 com Maria Damiana da Conceição, pais de Maria (18/07/1898) e Antônio (25/07/1899).
3) JOAQUIM PAULINO BORGES, nascido em 1860, casou-se com ALEXANDRINA DE SOUZA PINTO em 31/03/1891 em Santa Cruz/RN (vide postagem no blog) . O casal teve 8 filhos: Pedro Paulino Pinto (03/03/1893), Manoel Paulino Pinto (1894), Rita Borges (1895), Maria Alexandrina Borges (12/12/1896), Joana Borges (12/02/1898), Isabel Alexandrina Borges (08/09/1902, Adolfo (1907) e Antônio Borges (1908).
Consta da certidão de casamento que os avós de um dos nubentes eram bisavós do outro (impedimento de terceiro grau atingente ao segundo). Fato este que não passa despercebido uma vez que encontramos na Aldeia muitos outros familiares como é o caso de ANTONIO JOSÉ PINTO (filho de Manoel José Pinto) e MANOEL SIMPLÍCIO DA SILVA PINTO (neto de Manoel José Pinto).
Após o casamento o casal foi morar na Aldeia, onde Joaquim tinha terra e era comerciante de fumo. Alexandrina morreu na Aldeia em 1909.
4- JOAQUINA MARIA SALOMÉ DE JESUS, casada com Manoel Jesuíno Borges da Fonseca (seu primo). Nascida em 16/02/1865. Esse casal deixou muitos descendentes.
5 – LUCINDA MARIA DA CONCEIÇÃO, viúva. Nascida em 20/12/1863.
6 – JOSÉPHA (JOSEFA) AUGUSTA de Jesus. Viúva. Nascida em 2/8/1865.
7- RITA MARIA DA CONCEIÇÃO. Solteira, Nascida em 1878.
8 – MARIA PAULINA DOS SANTOS PEREIRA, falecida. Filhos:
 8.1- Maria Magdalena de Paiva, casada com Joaquim Manoel da Costa:
 8.2 – Benedicta Romana das Virgens, solteira, 21 anos.
 8.3 - Manoel Raimundo Araújo, 20 anos.
 8.4 - Josepha .... de Jesus, 16 anos e solteira,
 8.5 – Maria Paulina – 18 anos e solteira
 8.6 – Manoel

imagem:arquivo pessoal

No inventário consta que Pedro Paulino Borges, Bertulina e filhos moraram em uma casa de tijolo e telha Aldeia. Em local próximo, em casas separadas, moravam seus filhos JOAQUIM PAULINO BORGES, JOÃO PAULINO BORGES e sua filha LUCINDA.
Pedro deixou 2.500 pés de café produzindo (pequeno produtor de café) e 200 varas de fumo.
No inventário consta que tinha uma dívida com MANOEL PINTO (Manoel Simplício da Silva Pinto- vide postagem no blog) o qual além de vizinho era seu primo.

Interessante notar que alguns membros tanto da família BORGES quanto da família PINTO aparecem como residentes na ALDEIA (Solânea) nos registros paroquiais de Bananeiras a partir da criação da freguesia (1836 em diante), o que significa dizer que aquelas terras foram ocupadas há muito tempo por membros de ambas as famílias das quais descendo.
Convém esclarecer que muitos membros da família BORGES se fixaram também em Araruna e Serraria.
A bem da verdade é preciso esclarecer que existe uma confusão muito grande que começou com as várias interpretações do Mapa de Marcgrave de 1643. As várias aldeias de índios apontadas no mapa deram origem a algumas versões fantasiosas das localizações das aldeias de Tapecura e de Ararambé.
Uma dessas dizia que a aldeia de TAPECURA estaria localizada em Serraria/PB, local onde também teria sido criado o aldeamento de SANTO ANTONIO DA BOA VISTA dos missionários de Santa Tereza e Santo Antônio, o que não é verdade, pois a antiga aldeia de Ararambé ficava localizada na Aldeinha, que embora seja limítrofe ao município de Serraria, fica no município de Solânea.
Por outro lado a aldeia de Tapecura era localizada na região da Aldeia, um pouco mais distante de Serraria.  
Embora o local tenha ficado abandonado por algum tempo voltou a ser habitado quando foram concedidas aquelas terras aos sucurus em 1718.
Mais tarde abrigou também aos canindés e o aldeamento ficou conhecido como ALDEIA DE SANTO ANTONIO DA BOA VISTA em homenagem aos missionários que lá passaram.
Mais de 60 anos durou o aldeamento e nesse período a presença do homem branco se fez notar com um processo de aculturação dos indígenas, que em 1780 foram transferidos para o litoral onde muitos morreram.
Claro que durante o tempo que durou a aldeia muitos foram as uniões entre indígenas e o homem branco, sendo esta a origem de muitas famílias.
Note-se que a Aldeia mantém seu nome até os dias atuais, da mesma forma que a Grota de Santa Tereza e também Aldeinha.

Assim, é legítimo supor que tanto a exploração econômica das terras da Aldeia é antiga o que explica a existência de meus ancestrais naquele local, onde plantaram café e, posteriormente, fumo.

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