sábado, 7 de março de 2015

JACARAÚ - PB

Distando aproximadamente 73 Km da capital, a cidade fazia parte da antiga rota de tropeiros que transitavam entre a Paraíba e o Rio Grande do Norte.
Embora o distrito tenha sido criado em 1908, subordinado ao município de Mamanguape, a existência de um agrupamento humano no local data, de pelo menos, do inicio do século XIX.
Infelizmente, como tantas outras cidades do interior nordestino, não existem estudos confiáveis da sua origem. 
Em breve pesquisa na internet verifiquei que pouco ou quase nada existe publicado sobre sua história, e, quando muito encontramos coisas como " a colonização teve início no final do século XIX e começo do século XX" , o que absolutamente não é verdade.

O nome JACARAÚ tem de origem tupi, que é uma língua aglutinante, em que a aglutinação é o mecanismo predominante na formação das palavras. Assim, Iakaré  significa jacaré. Iakareí ou Jacareí é o rio dos jacarés. E, JACAREÚ, possivelmente é um topônimo cuja origem veio da expressão  " lugar dos jacarés". 

Em apenas um dos livros paroquias de Mamanguape, achei 9 batismos realizados em apenas um dia (8/12/1827), de antigos moradores do local, notadamente das famílias SOARES, BEZERRA, NOGUEIRA E FERREIRA, conforme comprovam os registros abaixo.
Assim, é lícito concluir que naquele local existiam. pelo menos 9 famílias, sem contar com as dos padrinhos que poderiam ou não se moradores do local. Logo, o resultado da população local chegaria ao número estimado de 45 pessoas, levando-se em conta que cada família seria composta de apenas 5 membros (pai, mãe e 3 filhos), sem contar escravos e agregados, resultando em número muito maior.
Evidentemente, tais famílias deveriam estar dispersas, cada qual em seu próprio pedaço de terra, não havendo que se falar propriamente de um arraial pela falta de um oratório ou de uma capela, mas os documentos comprovam o número elevado de fiéis, o que resulta na presença do padre para a celebração tantos de batizados em um só dia.   
Todavia, podemos dizer que tais pessoas ou foram os pioneiros do local ou descendentes destes.

Concluindo: necessário se faz uma pesquisa maior pelos interessados, para resgatar a história local e não ficar repetindo as mesmas bobagens, sem nenhum fundamento, que geram apenas informações erradas e destituídas de veracidade.

Eis os registros que encontrei:

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Antonio, batizado em 8/12/1827, no lugar do Jacaraú, filho de José Rodrigues e Thereza de Jesus. Padrinhos Manoel Nogueira de Adriana Soares.

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 João, batizado em 8/12/1827, no lugar do Jacaraú, filho de Silvestre José e Antonia Maria. Padrinhos João Soares dos Santos e Maria da Silva Souza

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Francisco, batizado em 8/12/1827, no lugar do Jacaraú, filho de José Francisco da Silva e Joana Nogueira. Padrinhos Manoel Lourenço de Oliveira e Nossa Senhora da Conceição. 


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Antonio, batizado em 8/12/1827, no lugar do Jacareú, filho de Francisco Bizerra e Anna Francisca. Padrinhos Joaquim da .... (ininteligível) e Alexandrina de Souza

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João, batizado em 8/12/1827, no lugar do Jacaraú, filho de Antonio Nogueira e Perpetua Maria. Padrinhos José Marques da Silva e Bibiana Maria. 
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Carlota, batizada em 8/12/1827, no lugar do Jacaraú, filha de Ignacio da Rocha e Joanna Maria. Padrinhos Vicente Ferreira da Costa e Thereza de Jesus.

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Maria, batizada em 8/12/1827, no lugar do Jacaraú, filha de José Alves e Lourença Vital. Padrinhos Vicente Ferreira e Margarida Antônia.
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Joaquim, batizada em 8/12/1827, no lugar do Jacaraú, filha de Ignácio Ferreira e Thereza Maria. Padrinhos Pedro de Azevedo e Margarida Antônia.
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Silvana, batizada em 8/12/1827, no lugar do Jacaraú, filha de Bartholomio Fernandez e Joaquina Maria. Padrinhos Alexandre José da Fonseca e Rosa Adriana de Freitas

Um comentário:

João Felipe disse...

O pior, Isabel, é que as pessoas do lugar não ajudam na recomposição dessas histórias. Muitas localidades com histórias riquíssimas estão no ostracismo.