domingo, 12 de outubro de 2014

ANTA ESFOLADA - ATUAL NOVA CRUZ/RN

Erros sempre são cometidos em todos os ramos  do conhecimento humano, em se tratando de GENEALOGIA não é diferente, já que muitas das vezes os dados históricos apresentam inconsistência.
Foi o parece que aconteceu nas minhas pesquisas, uma vez que em vários documentos do século XVIII que encontrei até agora, referentes aos meus ancestrais paternos pertencentes à família OLIVEIRA, havia a menção de "Goianinha", no Rio Grande do Norte.
Contudo, do início do século XIX até a sua metade, por volta de 1846, as referências passam para uma localidade denominada "São Bento". 
Como atualmente existem os municípios de Serra de São Bento e São Bento do Trairi, e uma vez que ambos fazem fronteira com a Paraíba e estão localizados na microrregião da Borborema Potiguar. Distantes cerca de 50 Km um do outro, além de próximos das cidades de Santa Cruz/RN, Araruna/PB e Bananeiras/PB, locais onde grande parte dos meus ancestrais viveram, acreditei que uma das duas localidades seria aquela citada nos documentos como SÃO BENTO.
Sobre Serra de São Bento as informações que obtive são poucas e remontam apenas à metade do século XIX. O fato de sua "fundação" ter sido atribuída ao Coronel João de Oliveira Mendes não despertou minha atenção, exceto pelo sobrenome OLIVEIRA do seu "fundador".  Mas, não encontrei nenhum JOÃO DE OLIVEIRA MENDES na minha árvore genealógica, daí fiz a exclusão da SERRA DE SÃO BENTO.
Já em relação a São Bento do Trairi, sempre acreditei que o  denominado "fundador" da cidade pela historiografia oficial "JOSÉ PAULINO DE OLIVEIRA GARROTE", na verdade , era um dos filhos de meu trisavô PEDRO PAULINO BORGES (que aparece nos registros paroquias também como PEDRO PAULINO DE OLIVEIRA OU PEDRO JOSÉ PAULINO), de nome JOSÉ PAULINO DE OLIVEIRA.
Ao contrário do pai que sempre viveu nos OLHOS D'ÁGUA DA ALDEIA (atual zona rural conhecida como Aldeia do município de Solânea/PB - vide postagem no blog FAMÍLIA BORGES), os filhos não permaneceram na Paraíba e fixaram residência em Santa Cruz/RN.
JOSÉ PAULINO DE OLIVEIRA  casou-se com FRANCISCA MARIA. Tiveram muitos filhos e deixaram muitos descendentes.Um dos filhos do casal foi JOSÉ, nascido aos 16/08/1879, batizado em Santa Cruz, sendo padrinhos Severino de Oliveira e sua mulher Victorina Maria da Conceição, o qual fiz menção no livro Genealogia Sertaneja.
Mas, recentemente descobri vários documentos que remetem a "ANTA ESFOLADA", que na verdade é atualmente o município de NOVA CRUZ/RN, e foi chamada no passado de URTIGAL e de ANTA ESFOLADA.
Foi distrito com a denominação de SÃO BENTO em 1835, elevada à categoria de Vila em 1852, desmembrada  de Goianinha.
Assim, verifico que cometi um erro muito grande quando foquei minhas pesquisas do século XVIII apenas em São Bento do Trairi. Deveria ter atentado para a data em que NOVA CRUZ era chamada de SÃO BENTO.
Quanto a denominação de ANTA ESFOLADA, ao que parece durou bastante tempo. No registro de 1818 abaixo, temos um pequeno exemplo.

fonte: family search

" Aos quinze dias do mez de septembro do anno de mil oitocentos e dezoito, no lugar da ANTA ESFOLLADA, freguezia de Villa Flor, de licença minha com banhos e dispensados no tercero grao de sanguinidade pelo Reverendo Manoel Joaquim Pereira e das testemunhas Gonçalo José de Castro e Manoel Francisco dos Santos, contrairão matrimônio por palavras presentes Martinho Pereyra e Maria da Conceição, aquele filho legítimo de José Pereira e Honória Maria da Conceição esta filha legítima de Mathias Francisco e de Thereza Maria, todos desta freguezia de Mamagoape e logo receberão as bençãos na forma do ritual romano, do que para constar fiz este termo."

Para finalizar, deixo registrado que existe toda uma lenda sobre a ANTA ESFOLADA. Não passa realmente de lenda. Pois, na verdade a região já era ocupada pelos criadores de gado no século XVII.
Vaqueiros acostumados a curtir o couro do gado que também curtiam o de outros animais. 
No atual município de Lagoa da Anta, que já pertenceu a Nova Cruz, existiam muitas antas, cujo couro é muito resistente e era utilizado pelos vaqueiros para fazer rédeas. 
Sabe-se que o costume de esfolar animais ainda vivos é bem antigo. Os animais recebiam uma paulada ou várias pauladas na cabeça. Alguns morriam na hora, outros só ficavam atordoados ou desmaiados. 
Quando o animal parava de se mexer começavam a cortar a pele a qual era arrancada sobre a cabeça dos animais. Alguns ainda vivos eram descartados e jogados em local próximo, enquanto o esfolamento continuava com outros animais.
Como a morte ainda demorava a chegar para alguns, não raro um ou outro animal ainda tinha força de se levantar antes de morrrer, mesmo depois de esfolados, gerando uma terrível imagem de sofrimento banhado em sangue.
Pela quantidade de antas que foram abatidas no local, é possível que algo semelhante tenha ocorrido o que logo virou de conhecimento público e, como sempre acontece nesses casos a história foi acrescida de algum fato sobrenatural.
Pobre da anta esfolada. Se o seu couro não fosse tão bom não teria sido lembrada por um fato tão deprimente e não teria dado nome a uma localidade.   Aliás, duas se considerada a LAGOA DAS ANTAS.

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