segunda-feira, 2 de julho de 2018

OLHO D'ÁGUA DOS ÍNDIOS - ARARUNA (PB)


Como é mais do que consabido eram muitas as populações indígenas na época da colonização. No território onde hoje se localizam a Paraíba e Rio Grande do Norte existiam muitas aldeias. Infelizmente,  muito pouco se sabe a respeito.
Tendo em vista o caráter semi nômades desses povos, que se mudavam com certa frequência motivados pelas secas, falta de caça ou até por motivos religiosos, grande é a dificuldade em  determinar quais os exatos locais dessas aldeias.
Assim, os documentos mais antigos são fontes para pesquisa e vez por outra nos deparamos com alguns, como o abaixo de 1856 que não só indica o Olho d'água dos Indios (também chamado de Olho D'Água dos Caboclos) localizado no atual município de Araruna (PB), antigamente chamada de Serra d'Araruna.

É bom esclarecer que no registro de 1856 consta que as terras pertenciam ao patrimônio de Nossa Senhora da Conceição (Matriz na época), mas foram doadas pelo Capitão MANOEL JANUÁRIO BEZERRA CAVALCANTE (já falecido em 1856).
Esse Manoel  aparece  como proprietário no local da  "Pedra do Olho d'agua" por volta de  1837.      
Consta no registro (imagem abaixo) que tais terras teriam como limites ao sul a data de Riachão e ao Norte com data da Serra das Baraúnas (pedaço da Borborema que era conhecido na época com o nome da árvore que era abundante no local. Atualmente Monte das Gameleiras e São Bento).  




Casamento realizado aos 29/11/1839 em oratório privado na Serra de Araruna, com as testemunhas FRANCISCO JOVITA DA COSTA e MATHIAS SOARES DOS SANTOS, os nubentes José Francisco ... e Paulina Maria da Conceição , naturais e moradores no OLHO DÁGUA DOS CABOCLOS  ( OLHO DÁGUA DOS ÍNDIOS0.



terça-feira, 26 de junho de 2018

AS MALAS DA RÉ CARLOTA LÚCIA DE BRITO - 1862


  
Carlota Lúcia de Brito vivia em Brejo de Areia (Areia/PB) quando se envolveu na morte do Coronel Trajano Chacon por volta de 1849,
Ela foi julgada e sentenciada a prisão perpétua. Foi cumprir sua pena no presídio de Fernando de Noronha de onde só saiu em 1890 (passou quase 40 anos lá), por conta de um indulto concedido.
Em 1862, a sentenciada fez um requerimento para que pudesse reaver duas malas que ficaram depositadas na cidade de Areia quando de sua prisão.
Teve seu pedido atendido, conforme comprovam o documento abaixo.
Existem notícias de que Carlota viveu com o Diretor do presídio por algum tempo o que facilitou um pouco o cumprimento de sua pena.    

imagem: arquivo pessoal

imagem: arquivo pessoal

RELAÇÃO DOS BENS QUE ESTAVAM NAS MALAS




segunda-feira, 25 de junho de 2018

BANANEIRAS - PB (FOTOGRAFIAS ANTIGAS)

Ainda há muito para ser feito em termos de reconstrução do passado da cidade.
As fotografias retratam momentos da cidade de Bananeiras.
A primeira foi tirada em 1935. Ao fundo a Igreja de Nossa Senhora do Livramento. Abaixo a praça com o coreto.


Fotografia de 7/9/1922, com o coreto e nenhuma árvore na praça recém construída e inaugurada



Desfile escolar no dia 7/9/1922

Dia 7/9/1922 -  Inauguração do coreto e da praça


Foto tirada entre 1922/1928. Vista da estrada para a antiga Vila do Moreno.


SÃO JOSÉ DO CAMPESTRE- RN

Muitas das vezes em minhas pesquisas encontro documentos que são verdadeiras relíquias históricas por conterem informações que se perderam no tempo.
É o caso de um registro de terras, feito em 1857, que diz respeito à cidade de São José do Campestre, município localizado na microrregião da Borborema Potiguar e bem próximo da fronteira com o estado da Paraíba.
Trata-se do registro de terras feito por MANOEL NUNES DE OLIVEIRA e sua mulher UMBELINA MARIA DA CONCEIÇÃO, que declararam serem moradores do CAMPESTRE, do termo e Freguesia de Independência (antigo nome de Guarabira), e que eram senhores e possuidores de terras denominada LAGES, na freguesia de Araruna, termo de Bananeiras.
Sendo que ficavam " meia légua ao fundo do Rio Curimataú para o poente a contestar pelo Norte com terras de Joaquim Ancelmo e pelo sul com terras de Francisco Soares", que herdaram da falecida MARIA DO CARMO CAMPESTRE .
Vê-se assim que o lugar denominado "Campestre" já existia em 1857 e nele haviam moradores, sendo que a origem do nome muito provavelmente se originou do sobrenome da proprietária do local.
Pesquisei na internet e não achei nada a respeito. Toda a história "oficial" do município faz menção que a povoação do local começou a partir de 1890, ou seja, mais de 30 anos (no mínimo) após  seus primeiros moradores terem se fixado no local.
Não há registro nenhum sobre MARIA DO CARMO CAMPESTRE.  
  Abaixo o registro

quarta-feira, 2 de maio de 2018

POPULAÇÕES DE ALGUMAS CAPITAIS 1915

 QUADRO COMPARATIVO DA CIDADE DA PARAHYBA (atual JOÃO PESSOA)  COM OUTRAS CAPITAIS


CIDADES                            ANO                     POPULAÇÃO
PARAHYBA                       1915                      40.000
CURITIBA                          1915                      65.500
RECIFE                             1915                     230.000 
SÃO PAULO                      1915                     500.000
RIO DE JANEIRO              1915                     961.522 
BELO HORIZONTE           1914                       44.945
SALVADOR                        1913                     310.000  
MACEIÓ                             1913                       70.000
FORTALEZA                       1913                       80.000
MADRID                             1915                     614.105
NEW YORK                        1915                   5.484.328
BUENOS AIRES                 1915                  1.587.105
     

COLÉGIO ELEITORAL DE BANANEIRAS DE 1865

Transcrição da ata de 1865, com eleição dos membros para a assembléia provincial.



"Acta especial a instalação do Collégio Eleitoral da Freguesia de Nossa Senhora do Livramento de Bananeiras que tem de proceder a eleição de dezoito membros à Assembléia Legislativa da Parahíba do Norte.
Aos deiz dias do m~e de dezembro do anno de nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil oitocentos e secenta e cinco, nesta casa de oração, servindo da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Livramento da Província da Parahíba do Norte, reunidos o Collégio Eleitoral, pelas deiz horas da manhã, sob a presidência do Juiz de paz, segundo soldado o cidadão Antonio Targino de Freitas Pessoa e Tenenete Coronel Targino Candido das Neves e procedendo-se a leitura de que trata o artigo secenta e nove da lei número trezentos e oitenta e sete de dezenove de agosto de mil oitocentos e quarenta e seis, observando-se  sempre as formalidades que se refere o artigo dezoito do Decreto número mil oitocentos e quarenta e seis e mais disposições da lei regulamentar de eleições supracitada constituindo-o por este modo a mesa instalada do Collégio e procedendo-se a eleição dos sois secretários e dois escrutinadores, por escrutinio escrito depois do que , digo, escrutadores dentes os leitores por escrutínios secretos depois de lidas e contadas as sedulas, verificou-se saírem eleitos os senhores LEONARDO ANTONIO DA CUNHA com vinte e cinco votos, PEDRO GONÇALVES DA CUNHA, com vinte e cinco votos, ANTONIO CANDIDO THAUMATURGO DE FARIAS, com deiz votos, BELISÁRIO PESSOA BANDEIRA, deiz votos, JOÃO ANDRADE DE FREITAS DA CUPAOBA, com quatro votos, JOÃO JOSÉ DAS NEVES, treiz votos, SINÉRIO PEREIRA GUIMARÃES dois votos, OLINTO POMPILHO DE MELLO um voto, JOSÉ LOPES PESSOA DA COSTA, um voto e FRANCISCO DE PAULA FERREIRA GRILO, um voto. Os membros da mesa do Collégio Eleitoral de Bananeiras em cumprimento ao art. 79 da lei 387 de 19 de agosto de 1846, remete a assembleia legislativa provincial. Por intermédio de cópia autêntica das atas de eleição para deputados provinciais, que quis ter lugar nos dias 10 e 11 do corrente mês. Villa de Bananeiras, 15 de dezembro de 1865.
Eleitores
- Estevão José da Rocha
- José Joaquim das Neves
- Antonio Cândido Thaumaturgo de Farias
- José Maria da Rocha
- Antonio Ferreira da Rocha
- O Vigário José Paulino da Borba Grillo
- Doutor Claudiano Bezerra Cavalcanti
- Antonio Bezerra Carneiro da Cunha
- Cassiano Cícero Carneiro da Cunha
- Adelino Bezerra Cavalcanti
- Antonio José da Cruz Marques
- Francisco de Paula Ferreira Grillo
-Amaro Joaquim Melo
- Leonardo Antonio da Cunha
- João Soares de Albuquerque
- José Malaquias de Araújo
- Pedro Gonçalves da Cunha
- Olinto Pompilho de Melo
- Antonio Thimotheo Queiroz
- Manoel Thimotheo  Queiroz
- José |faustino de Azevedo Moura
- Antonio Fernandes de Oliveira
- Salustino Candido Bezerra Cavalcanti
- Sinésio Pereira Guimarães
- João Marques Ferreira Castor
- José Fernandes 
- Belisário Pereira Bandeira
- Felinto Flores
- Theophilo José Pereira
- Pedro Rodrigues das Neves
- Antonio Targino 
- Doutor Antonio José D'Assumpção Neves
- João Ferreira Passos Silva

Eleitores de Pedra Lavrada
- Messias Francisco Bizerra
- Felix Alexandre do Souto
- José de Souza Castro

sábado, 28 de abril de 2018

INSCRIÇÕES RUPESTRES (BANANEIRAS, SOLÂNEA E ARARUNA)

A Paraíba é rica em inscrições rupestres. Não só a PEDRA DO INGÁ, a mais famosa delas e monumento arqueológico muito importante, mas muitos outros sítios.  
Infelizmente, muitos desses preciosos registros da pré história do homem americano está desaparecendo por falta de conservação.
Nas rochas as margens dos rios e riachos encontramos muitas inscrições que podem ser esculpidas ou pinturas, com variedades de figuras geométricas ou representações de animais, pessoas ou objetos.
O povo em geral chama tais inscrições de "letreiros".
As primeiras notícias que temos desses letreiros foi em dezembro de 1598, na Serra da Copaóba, onde no rio "Araçuagipe", Feliciano Coelho de Carvalho se deparou com alguns "sinais" feitos nas pedras da margem do rio.
Elias Herckmam, em 1641, nas suas incursões na Copaóba se deparou com "certas pedras lavradas pelas indústria humana" ( ao que tudo parece o local ficou conhecido como Pedra Lavrada).
É fato incontestável que no norte do planalto da Borborema (Copaóba) existem cursos de água cujos arredores  foram habitados por populações humanas que deixaram tais inscrições nas pedras.
O sítio rupestre encontrado em Bananeiras foi da tradição Agreste (Gruta do Morcego, no Sítio Roma de Baixo).
Em Solânea, no Sítio Cacimba da Várzea existem muitas inscrições rupestres da tradição itacoatiara e também da tradição agreste. No lugar também existe um amontoado de rochas que parece muito um monumento megalítico que poderia ter sido usado para fins religiosos ou simbólicos. Infelizmente, não encontrei nenhuma pesquisa feita a respeito. Exemplo do descaso com a nossa história. Conheci o local e posso assegurar que é fantástico, mas pouco conhecido até pelos moradores locais, o que até vem a ser bom para evitar a depredação desse patrimônio arqueológico..
Na Pedra da Boca em Araruna, na parte conhecida como Pedra da Santa ou Pedra do Letreiro, existem pinturas rupestres da tradição Nordeste. No município, recentemente tive notícias de terem sido mapeados outros sítios rupestres.
Enfim, é uma pena que tais sítios não sejam estudados, catalogados e preservados.