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segunda-feira, 7 de junho de 2021

MINHA ASCENDÊNCIA ATE MANUEL AFONSO PAVÃO

 

! -  MANUEL AFONSO PAVÃO, o Velho, , veio de Portugal já casado para a Ilha de São Miguel nos Açores, Segundo Rodrigo Rodrigues , “ no tempo do 5.º capitão donatário, Rui Gonçalves da Câmara (Vide Frutuoso, Livro IV, Cap.º XXIX). Foi morador primeiramente em Água de Pau.” Casou com Isabel Manuel, citada pelo genealogista micaelense Padre Belchior Manuel, que diz que a mulher deste Manuel Afonso Pavão fora ISABEL MANUEL. Foram os primeiros povoadores da Vila de Agua de Pau, em São Miguel e tiveram

2 - JOÃO MANOEL RODRIGUES PAVÃO, também conhecido como João Manuel Pavão, que também se chamou João Manuel de Vasconcelos (Vide Frutuoso, Livro IV, Caps. XXIX e CX),se CASOU INÊS DE OLIVEIRA DE VASCONCELOS, tiveram

3 - GUIOMAR DE OLIVEIRA, a quem Frutuoso chama também Isabel de Oliveira Vasconcelos (Vide Frutuoso, Livro IV, Cap.º CX)   se casou com na Bretanha, Ilha de São Miguel Nos Açores com o capitão SEBASTIÃO AFONSO DE SOUSA LEDO (filho de Afonso Ledo e de mãe desconhecida)  tiveram

4 - FILIPA DE VASCONCELOS , nascida aproximadamente em 1550, segundo Rodrigo Rodrigues era moradora nos Mosteiros com o marido, onde ambos venderam uma terra nos Ginetes por escritura de 30.9.1607 ( Fructuoso Liv.º IV, Cap.º CX § 3.º onde diz ser já casada e com filhos). Casou com PEDRO DE TEVE DE MESAS, capitão dos Mosteiros , tiveram:

5 - CLARA DE TEVE DE VASCONCELOS, moradora nos Mosteiros. Casou com ANDRÉ GONÇALVES tiveram:

6 -  MANUEL DE TEVE, casou em S. José de Ponta Delgada a 4.3.1651 com ANA CABRAL Tiveram

7 -       TERESA CABRAL, casou em S. José de Ponta Delgada a 16.11.1681 com JOÃO DA COSTA, filho de Manuel da Costa e Bárbara Garcia, da freguesia de S. José de Ponta Delgada.Tiveram:

8 - AGUEDA CABRAL OU DOS SANTOS, casou em S. José de Ponta Delgada a 5.4.1706 com MATIAS DE SOUSA, filho de Sebastião de Sousa a Ana de Andrade, da freguesia de S. Pedro de Ponta Delgada.

Tiveram:

1-       Josefa da Conceição, natural da freguesia de S. Pedro de Ponta Delgada e aí casou a 8.3.1734 com Lourenço Borges (Cap.º 146.º § 1.º N.º 10).

2 -        José de Sousa, c. em S. Pedro de Ponta Delgada a 6.1.1749 com Francisca Rosa, filha de Paulo Vieira e Ana da Silva.

3 -        Agostinha Francisca, natural de S. Pedro desta cidade e casou em S. José de Ponta Delgada a 28.4.1751 com Miguel Tavares do Rego, filho de José Velho e Maria Tavares do Rego

Josefa e Lourenco tiveram

9 - BARBARA FRANCISCA nascida em 3/12/1741 em São pedro de Ponta Delgada, Ilha de São Miguel, Açores. Casada com ANTONIO JOSÉ TORRES, tiveram

10 - FRANCISCO BERNARDO casado com Laureana Joaquina,  triveram

11 -  ANTONIO JACINTO BORGES Casado a 27 de Novembro de 1809 ANA JACINTA DE JESUS, nascida a 6 de Outubro de 1792, São Pedro de Ponta Delgada, Ilha de São Miguel tiveram :

12 -  JOAQUIM ANTONIO DE MEDEIROS, nascido a 14 de junho de 1827, Rosário da Lagoa, Ilha de São Miguel, faleceu a 15 de julho de 1913, Três Rios/ RJ/ BRASIL, Casado com JACINTHA CÂNDIDA BOTELHO, nascida a 26 de julho de 1838, São Roque do Rosto de Cão/São Miguel... tiveram:

 13-   MARIA DAS MERCÊS BOTELHO DE MEDEIROS, nascida a 21 de setembro de 1856, Lagoa, Ponta Delgada, Ilha de São Miguel, Açores, falecida em 1905, Três Rios/RJ – Brasil. Casada com MANOEL PEREIRA GOMES, nascido a 6 de agosto de 1842, Santa Eulália, Cabanelas, Vila Verde, Braga, Portugal, tiveram:

14.  ELVIRA PEREIRA GOMES, nascida a 20 de outubro de 1883, Três Rios, Rio de Janeiro, Brasil, batizada a 24 de fevereiro de 1884, TRES RIOS/ RJ/ BRASIL. Casada com Pierre AUDEBERT, nascido a 23 de Setembro de 1879, Les Charreaux, Dordogne, França, falecido a 26 de Novembro de 1944, Rio de Janeiro/RJ . tiveram:

15.  DAGMAR PEREIRA GOMES AUDEBERT (minha mãe)

 

 

sexta-feira, 30 de abril de 2021

CRISTÃOS NOVOS NA PENINSULA IBÉRICA

                 Para entender melhor o panorama existente nos Açores em relação aos processos que tramitaram perante o Tribunal do Santo Ofício, território autônomo de Portugal, durante os séculos XVI, XVII e XVIII, necessário se faz explanar sobre a conversão obrigatória dos judeus na Península Ibérica.

Inicialmente, devemos registrar que há provas documentais da presença de judeus na Península Ibérica desde a Antiguidade.

Durante séculos os judeus que viviam no território que hoje conhecemos como Portugal e Espanha não tiveram maiores problemas. Mas, com o passar do tempo, a comunidade prosperou tanto, devido principalmente, ao grande comércio português, pois contava com a participação significativa dos judeus. Tal situação gerou insatisfação, principalmente levando-se em conta que as comunidades judaicas começaram a crescer muito acumulando riquezas que deixavam os demais com muita inveja.

Somando-se a isso, apoiados na expulsão dos judeus da Espanha (Andaluzia), tal fato culminou com a conversão obrigatória de 1497, no reinado de D. Manuel I, quando todos os judeus que não conseguiram sair do país foram batizados compulsoriamente, tiveram que abandonar os seus nomes e adotar nomes cristãos (quer nomes próprios, quer de família).

A princípio, foi dado o prazo de dez meses para que os judeus deixassem o reino. Mas, em face da evidente perda financeira e de mão de obra especializada que ocorreria com a saída dos judeus, foi feita a conversão forçada ao cristianismo, quando foram batizados em pé e à força, sendo designados cristão-novo ou converso/convertido (ele e seus descendentes), em contraposição aos cristãos-velhos. A expressão foi muito difundida pelo Tribunal da Inquisição.

Sem permissão para o funcionamento de sinagogas, sem rabinos reconhecidos, impedidos da leitura de textos sagrados do judaísmo, grande parte desses cristãos novos, mesmo após a conversão, continuavam fieis da sua religião original, o que ameaçava o catolicismo. Esses cristãos-novos (denominados criptojudeus ou, de forma pejorativa, marranos) inventaram formas de esconder sua convicção religiosa. E, não tiveram mais sossego. Muitos foram perseguidos, razão pela qual fugiram para o norte da África, Países Baixos, Brasil e Açores (lugares receptivos para os cristãos-novos por poderem praticar suas atividades com relativa liberdade).

Em Portugal, até a última década do século XV, a situação ainda era melhor que na vizinha Espanha, pois a partir de 1478, com a fundação da Inquisição Espanhola, os cristãos novos viraram foco dela, que, por óbvio, não julgava sincera a adesão forçada ao catolicismo.

Em 1492, veio o decreto de expulsão do reino caso recusassem a conversão. Tal medida dos reis católicos, Fernando e Isabel, buscava a unificação dos reinos de Aragão e Castela. Com isso muitos cristãos novos castelhanos fugiram.

Apesar das conversões forçadas dos judeus para o catolicismo, no qual se tornavam cristãos-novos, como já dissemos, estes, com raras exceções, não se convertiam de fato; apenas se passavam por católicos para usufruírem os mesmos privilégios dos demais cidadãos. Em sua particularidade, viviam sua religiosidade.

O Tribunal do Santo Ofício sabia da prática do criptojudaísmo e por isso, infiltrava-se no seio das famílias hebraicas, como em geral eram chamadas tais famílias.

O Tribunal do Santo Ofício da Inquisição em Portugal foi instituído, definitivamente, depois de diversas tentativas, pela Bula do Papa Paulo III, em 23 de maio de 1536, isto é, quarenta anos após a "expulsão" dos judeus das terras lusitanas, em 5 de dezembro de 1496, por édito promulgado pelo rei Dom Manuel I. Geralmente os “crimes” condenados pela Inquisição eram a bruxaria, bigamia, protestantismo, judaísmo, islamismo, homossexualismo e outras “heresias”.

“O tribunal do Santo Ofício lançou os seus tentáculos sobre o arquipélago dos Açores em meados dos anos 50 do século XVI. De fato, em 1555, recebeu alguns açorianos enviados presos pelo bispo de Angra. Era a "entrada" no arquipélago de um tribunal que vinha abrindo espaço de manobra por todo o reino e seus domínios. À leva de detidos de 1555, outras se seguiram, as quais, a par com a finta realizada aos cristãos-novos das ilhas em 1558, fizeram de 1555-1559 um quadriénio fundamental para a afirmação do Santo Ofício nos Açores. Em 1575-1576 realizou-se a primeira visitação inquisitorial ao arquipélago. Esta e as duas que se lhe seguiram, a de 1592-1593 e a de 1619-1620, foram momentos fundamentais na implantação do tribunal nos Açores, traduzindo-se por algumas prisões e pela clara e efetiva tomada de consciência, por parte dos açorianos, de que a partir de então nada voltaria a ser como antes”. ***    

A Inquisição processou por judaísmo, entre 1557 e 1802, 112 moradores no arquipélago dos Açores. Mas, muitos foram os que o tribunal inquiriu de outras formas, nomeadamente nas visitações. Nas de 1592-1593 e 1619-1620, foram denunciadas várias pessoas, muitos castelhanos ou filhos e netos desses.

Em geral, eram os hábitos das pessoas que promoviam as denúncias. Por exemplo: se guardavam o sábado, se não comiam carne de porco, se trabalhavam aos domingos, se não observavam os demais preceitos da Igreja Romana, de acordo pleno com suas normas. Podemos dizer que muitos cristãos-novos e seus descendentes mantiveram seus hábitos oriundos do judaísmo, sendo certo que embora tenham teimosamente persistido na religião de Moisés, houve cristãos-novos e/ou seus descendentes que a Inquisição não conseguiu pegar. Logo, o número de cristãos novos nos Açores foi muito maior do que aqueles que foram processados pela Inquisição.

 

*** A INQUISIÇÃO E OS SOLDADOS DOS PRESÍDIOS AÇORIANOS (1592-1619), Paulo Drumond Braga, https://repositorio.uac.pt/bitstream/10400.3/279/1/Paulo_Braga_p. 55-63.pdf

 

 

quarta-feira, 31 de março de 2021

Sebastião Pires de Carvalho

 

 Todos os descendentes do açoriano JOAQUIM ANTONIO DE MEDEIROS ( meu trisavô)  descendem de famílias dos primeiros povoadores da Ilha de São Miguel, nos Açores.

Um deles foi Pedro Anes Preto, o Cavaleiro, natural de Portugal

Segundo Rodrigo Rodrigues 

".veio já casado para esta Ilha de S. Miguel aposentando-se em Água de Pau onde fixou residência. (Vide Frutuoso Livro IV Cap.º XXX s XLI). Instituiu uma capela que vagou para a Coroa por morte do Capitão Bernardo do Rego e foi doada  por uma vida por alvará de 22.9.1756 a Luís Pedro de Sousa, porteiro da Casa Real. 

Pedro Anes Preto serviu à sua custa em África, onde foi armado cavaleiro e donde voltou em 1521; em 1527 já era falecido, como consta de um recibo ou quitação de missas, passado a seu filho João Pires. El-Rei D. Manuel confirmou por carta de 20.6.1514 os privilégios e honras com que o armara cavaleiro em Azamor, Rui Berreto de Aguiar; Nesta carta se diz que ele era escudeiro e morador em S. Miguel (Torre do Tombo, Livro XI de D. Manuel, fls. 38). Casou em Portugal com Catarina Luís Maga que instituiu uma capela e a quem Frutuoso chama Catarina Alvares"

1 - Sebastião (Sebastian) Pires de Carvalho  nascido aproximadamente em 1515, se casou a 1.ª vez com uma filha de João Alvares, o Moço e de sua mulher Margarida Afonso e a 2.ª vez com Teresa Lopes, filha de Lopo Esteves Laio. Teve de ambas as mulheres numerosa geração em Água de Pau.

Teve da primeira mulher:

2 - Manuel Pires de Carvalho, que casou com Violante Vieira.

Tiveram:

3 - Sebastião Pires de Carvalho, cuja mulher se ignora.

Foi seu filho legítimo:

4 - João de Fontes de Resendes ou de Carvalho, cuja filiação consta de uma habilitação. F. com testamento em Água de Pau a 6.10.1675, sendo casado com Isabel Dias, natural desta Vila, onde morreu a 17.1.1679.

Tiveram:

5 - Agostinho de Carvalho, casado no Rosário da Lagoa a 10.12.1650 com Isabel de Sousa, que morreu nesta freguesia a 8.9.1705 e era filha de Manuel de Sousa (que faleceu com testamento na mesma freguesia a 22.3.1659, deixando a sua terça à filha Isabel com encargo de uma missa perpétua) e de sua mulher Isabel de Sousa.


"Aos oito dias do mês de setembro de mil setecentos e cinco anos faleceu de vida presente Isabel de Souza casada com Agostinho de Carvalho, fregueses desta Igreja de Nossa Senhora do Rosário..."

Tiveram:

6 -       André de Sousa Carvalho, casou no Rosário da Lagoa a 7.5.16... com Ana de Sousa, filha de Francisco de Sousa Ribeiro e Isabel Marques.

Tiveram:

7 -       Isabel de Pimentel, que casou no Rosário da Lagoa a 5.2.1724 com seu parente em 3.º grau Manuel da Costa de Sousa, filho de José da Costa, natural de Vila Franca e de sua mulher Águeda Martins (casados no Rosário Lagoa a 4.6.1677) e neto paterno Manuel da Costa, de Vila Franca do Campo, e de sua mulher Águeda Rodrigues e materno Manuel de Sousa e Maria Martins, do Rosário da Lagoa.

8  - Joaquim de Sousa, casou no Rosário da Lagoa a 2.11.1748 com Inês do Sacramento de Sousa, filha de André de Sousa Cabral e Isabel do Couto de Sousa.



Tiveram:

9 – Maria Joaquina, nascida em 10 de setembro de 1759, Rosário, Lagoa, São Miguel. Que se casou em 16/09/1759 com Pedro de Medeiros, nascido em 29/06/1765, filho de João de Medeiros e Victoria Cordeiro.

Tiveram

10- Ana Jacinta de Jesus, nascida a 6 de Outubro de 1792.Casada a 27 de Novembro de 1809 com Antônio Jacinto BORGES, nascido a 4 de Julho de 1787, São Pedro de Ponta Delgada, Ilha de São Miguel
... tiveram :

11 -  Joaquim Antonio de Medeiros, nascido a 14 de Junho de 1827,  Rosário da Lagoa, Ilha de São Miguel,  faleceu a 15 de Julho de 1913, Três Rios/ RJ/ BRASIL, Casado com Jacintha Cândida BOTELHO, nascida a 26 de Julho de 1838, São Roque do Rosto de Cão/São Miguel
... tiveram :

 12-   Maria das Mercês Botelho de Medeiros, nascida a 21 de Setembro de 1856, Lagoa, Ponta Delgada, Ilha de São Miguel, Açores, falecida em 1905, Três Rios/RJ - Brasil
Casada com Manoel pereira gomes, nascido a 6 de Agosto de 1842, Santa Eulália, Cabanelas, Vila Verde, Braga, Portugal, tiveram :

13.  Elvira Pereira  Gomes, nascida a 20 de Outubro de 1883, Três Rios, Rio de Janeiro, Brasil, batizada a 24 de Fevereiro de 1884, TRES RIOS/ RJ/ BRASIL. Casada com Pierre AUDEBERT, nascido a 23 de Setembro de 1879, Les Charreaux, Dordogne, França, falecido a 26 de Novembro de 1944, Rio de Janeiro/RJ .. tiveram:

 14.  Dagmar Pereira gomes Audebert,  nascida a 17 de Março de 1917, Rio de Janeiro - RJ, falecida a 18 de Dezembro de 2004, Brasilia- DF .

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

MINHA ASCENDÊNCIA ATÉ o casal de cristão Novos DOMINGOS GONÇALVES e CAMILA FERNANDES.

 

1.    CAMILA FERNANDES,  casada com DOMINGOS GONÇALVES , O Pinta Diabo, viveram em Barcelos, Portugal, sendo certo que eram oriundos da cidade de Guimarães  Gonçalves.          

2.    BRANCA CARDOSO DA SILVA, viveu em São Veríssimo de Tamel  era filha de Camila Fernandes e Domingos Gonçalves Cardoso. Casou-se em  4/10/1616 com o Capitão Gregório Cardoso Cerqueira. Faleceu em 4/12/1663.

3.    MARIA ANDRADE VELOSO nasceu em 13/12/1618 em São Verissimo de Tamel, Braga, Portugal. Casou com Alexandre Pereira do Lago aproximadamente em 1645. Faleceu em 2/01/1704 em Santa Maria Vila do Prado, Portugal

4.    FELIX PEREIRA DO LAGO nasceu em 23/01/1649 Santa Maria da Vila do Prado, Braga, Portugal. Falecido em 23/11/1711 em Santa Eulália de Cabanelas, Vila Verde, Portugal. Em 14/06/1672, com o nome de Félix Pereira de Araújo, habilitou-se em genere et morius e depois de ordenado teve uma filha (Maria) com Maria Francisca, solteira

5.    MARIA PEREIRA DO LAGO, nascida em Areias do Vilar dos Frade, Vila de Barcelos, Portugal em 02/02/1685. Casou-se com Francisco Lopes em 29/07/1704, faleceu em 26/01/1742 em Santa Eulália de Cabanelas, Vila Verde, Braga, Portugal

6.    JOSÉ LOPES (PEREIRA), nascido em Santa Eulália de Cabanelas, Vila do Prado, Braga, Portugal em 28/02/1718. Casado com Roza Thereza em 18/11/1762 em San Gens de Macarome, Vila do Prado, Braga, Portugal

7.    ANNA (MARIA) PEREIRA DO LAGO, nasceu em 29/071775   em Santa Eulália de Cabanelas, Vila do Prado, Braga, Portugal. Casou-se com  Antônio Francisco Pereira em 18/11/1805, na cidade de Santa Eulália de Cabanelas, Vila Verde, Portugal.

8.    JOAQUINA PEREIRA DO LAGO, nascida Santa Eulália de Cabanelas, Vila Verde, Braga, Portugal em 20/06/1811, casada com José Custódio Gomes em 17/06/1833 em Santa Eulália de Cabanelas, Vila Verde, Braga. Portugal

9.    MANOEL PEREIRA GOMES, nascido em Santa Eulália de Cabanelas, Vila Verde, Braga, Portugal, em 6/08/1842. Casou com Maria das Mercês Botelho de Medeiros em 6/11/1871, em Três Rios, Estado do Rio de Janeiro, Brasil. Faleceu em Três Rios, RJ, Brasil em 14/03/1916,

10. ELVIRA PEREIRA GOMES, nascida na cidade de Três Rios, Estado do Rio de Janeiro, Brasil em 20/10/1883, casada com Pierre Audebert em 29/02/1908 em Três Rios, Estado do Rio de Janeiro, Brasil.  Falecida no Rio de Janeiro, estado do Rio de Janeiro –RJ , Brasil, sem data conhecida.

11. DAGMAR DE OLIVEIRA PINTO, nascida na cidade do Rio de Janeiro – Estado do Rio de Janeiro, Brasil, em 10/03/1917, casada com Raimundo de Oliveira Pinto . Falecida em 18/12/2004 em Brasília, Distrito Federal, Brasil  (minha mãe)

 

segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

OS CRISTÃOS NOVOS CAMILA FERNANDES e DOMINGOS GONÇALVES (O ‘PINTA DIABOS”) PARTE II

PARTE II

Além do Caderno de Bivar, dos apontamentos do Gayo, temos ainda alguns processos que confirmam a origem judaica Sefardita da FAMÍLIA PEREIRA DO LAGO.

Inicialmente, devemos observar que o casal CAMILA FERNANDES (que aparece também como Camila Fernandes de ANDRADE) e DOMINGOS GONÇALVES, o Pinta Diabos (que aparece como Domingos Gonçalves CARDOSO ou Domingo Gonçalves PINTO), foram os pais de BRANCA CARDOSO DA SILVA, a qual viveu em São Veríssimo de Tamel *, foi casada com o Capitão GREGÓRIO VELOSO CERQUEIRA.

Casamento   


"Aos quatro dias do mês de outubro do anno de seiscentos e dezesseis foram recebidos por palavras de presente na forma do sagrado concílio tridenttino Gregório Velloso da freguesia de Sª Mª de Galegos com Branca Cardoso, irmã deste abade João Cardoso, da Villa de Barcellos. Estando por testemunhas Gonçalo Rebello da Villa de Prado e Sebastião da Rocha Pimentel da Villa de Prado e do Licenciado Hieronimo Coelho da Villa de Barcellos e Matheus Gonçalves vigário de Sta. Marinha de Remelhe que recebeu a eles noivos..".

Esse registro nos dá a informação e que Branca Cardoso era irmã do abade João Cardoso, de Barcelos, como também a origem de Gregório Veloso como sendo da Freguesia de Santa Maria de Galegos. E, uma forte ligação com a Vila do Prado, local das testemunhas do casamento (tempos depois a filha do casal, MARIA. Se casa com ALEXANDRE PEREIRA DO LAGO que era da Vila do Prado).

O mesmo abade João Cardoso batizou a sobrinha Maria, filha do casal, em 13/12/1618 


"Aos treze de dezembro de seiscentos e dezoito baptizei eu João Cardoso, abade de S. Veríssimo a Maria, filha de Gregório Velloso, meu cunhado e freguês. Foram compadres o reverendo abade de xxxx Baltazar Gonçalves e comadre Izabel Vellosa, sua avó, da freguesia de Santa Maria de Galegos e por assim passar na verdade aqui ponho minha fé..."

 Gregório nasceu por volta de 1580 e era filho do Capitão Pedro Alvares de Freitas e Isabel Veloso Cerqueira. Faleceu em 03/03/1638, em São Veríssimo, Tamel. (A freguesia de Galegos era vizinha a Freguesia de São veríssimo)

Justamente Gayo, no já citado Nobiliário de Famílias de Portugal, na página 295 dispõe que Maria de Andrade como sendo filha de Branca e de Gregório e neta de CAMILA FERNANDES E DOMINGOS (consta como sendo DOMINGOS FERNANDES e não DOMINGOS GONÇALVES, o que foi um erro do historiador)

 

 


 Vemos que esse cita os filhos do casal ALEXANDRE PEREIRA DO  LAGO e MARIA DE ANDRADE, dentre eles FELIX PEREIRA DO LAGO, que foi abade de Cabanelas.

No processo de INQUIRIÇÃO DE GENERE de FÉLIX PEREIRA DO LAGO (também conhecido como FÉLIX DE ARÁUJO PEREIRA) de 1672, peça chave na comprovação da ancestralidade judaica da família, inquisidor concluiu pelo impedimento de Félix haja vista ter descoberto que este “por parte de sua mãe tem parte de cristão novo”.


https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:3QS7-89CZ-33JK?i=16&wc=SSVC-8PN%3A363117701%2C363515401%2C363523101%2C363524701&cc=2125025

Já no processo de ADRIANO DE AZEVEDO, de 1691, filho de Gabriel de Azevedo e de sua mulher Hierônima de Andrade Veloso, natural da freguesia de São Veríssimo de Tamel, disse ser Hierônima, filha legítima de Gregório Veloso e de sua mulher BRANCA CARDOSO, esta filha de CAMILA FERNANDES.

 


O impedimento procedeu da via materna do então embargante e de sua bisavó CAMILA FERNANDES (por se dizer que Hieronima e Branca eram sobrinhas das judias chamadas Ricas). 


... João Card
oso era da nação hebreia por ser filho de CAMILA FERNANDES natural que foi da Vila de Barcelos mulher de DOMINGOS GONÇALVES CARDOSO

 https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:3QS7-L9HY-R49B?cc=2125025

Na habilitação para familiares do Santo Ofício de ALEXANDRE PEREIRA DO LAGO, do ano de 1715, neto do ouvidor ALEXANDRE PEREIRA DO LAGO, casado com a MARIA DE ANDRADE, bisneto de Branca Cardoso, trineto de Camila e Domingos Gonçalves,  a maioria das testemunhas ouvidas confirmaram a fama de cristãs novas de BRANCA CARDOSO   e  de sua filha   MARIA DE ANDRADE VELOSO,   apesar de não conhecerem a origem da fama atribuída às mesmas e seus descendentes, apenas conjecturavam, sendo que alguns,  por ouvirem dizer de seus pais ou outras pessoas já falecidas,  acreditavam que isso se devia ao fato de que BRANCA CARDOSO, “ter se “criado em Barcelos em casas de umas judias,  a  quem chamavam as RICAS, e que não tendo herdeiros lhe deixaram os seus bens”.

Após serem ouvidas várias pessoas acerca da “limpeza de sangue de ALEXANDRE PEREIRA DO LAGO”, a conclusão do inquisidor foi de que por parte de sua avó materna, chamada Maria de Andrade Veloso, casada com seu avô Alexandre Pereira do Lago – seu homônimo, “era o dito habilitante tido e havido por cristão novo e assim era a fama geral e constante”....e “tão geral e vulgar é esse defeito de sangue que se opões ao habilitante que me parece o não ignorar aquelas pessoas que dele algum conhecimento tem”.



A habilitação está incompleta .

http://digitarq.arquivos.pt/viewer?id=2344089

 O último foi a habilitação para familiar do Santo Ofício de JERÕMINO PEREIRA DO LAGO, onde Domingos Gonçalves e Camila Fernandes são citados como pais de três filhos: JOÃO CARDOSO, que se ordenou de ordens santas e foi Abade da dita freguesia de São Veríssimo de Tamel, MANOEL CARDOSO que também foi sacerdote e faleceu em Barcelos e BRANCA CARDOSO, avó de Jerônimo, filha de CAMILA FERNANDES das partes de Fonte Arcada, concelho de Lanhoso, como era tradição servir a Barcelos umas mulheres chamadas RICAS que padeciam fama de cristãs novas.






  https://digitarq.arquivos.pt/viewer?id=2329727

Assim, diante de todas essas provas podemos afirmar que DOMINGOS GONÇALVES e CAMILA FERNANDES eram cristãos novos e que seus descendentes, por muitos anos, carregavam consigo a fama de seus ancestrais.

domingo, 10 de janeiro de 2021

OS CRISTÃOS NOVOS CAMILA FERNANDES e DOMINGOS GONÇALVES (O ‘PINTA DIABOS”) PARTE I

OS CRISTÃOS NOVOS CAMILA FERNANDES e DOMINGOS GONÇALVES (O ‘PINTA DIABOS”) 

PARTE I


Em janeiro de 2019, fiz uma postagem sobre os PEREIRA DO LAGO (ascendentes e descendentes brasileiros), ocasião em que apontei a origem judaica Sefardita dos mesmos. E, nessa postagem vou acrescentar alguns dados que acredito serem valiosos para a história de nossa família.

Começando por ALEXANDRE PEREIRA DO LAGO, que foi batizado a 25 de outubro de 1629, era filho de MANUEL PEREIRA DO LAGO e de PLÁCIDA FRAGOSO PEREIRA, se casou em Santa Maria da Vila do Prado, aproximadamente em 1645, com MARIA ANDRADE VELOSO, filha de BRANCA CARDOSO DA SILVA e do Capitão GREGÓRIO CARDOSO CERQUEIRA, neta materna dos cristãos novos CAMILA FERNANDES e de DOMINGOS GONÇALVES (o “Pinta Diabos”), o que é confirmado, por Luís de Bivar Guerra, em “Um caderno de Cristão Novos de Barcelos”.

Nele Bivar fez uma transcrição e análise de um caderno apensado à uma habilitação familiar do Tribunal do Santo Ofício a que se submeteu Álvaro Barbosa Escobar Lopes de Barros (arquivada na Torre do Tombo), onde reproduz a genealogia das famílias cristãs novas de Barcelos, encabeçada pelos genearcas.

No título 14, que fala da “DA RICA”, temos que Amador Fernandes Furtado, mercador em Guimarães, era cristão novo e sobrinho da RICA e da mulher de DOMINGOS GONÇALVES “o Pinta Diabos”.

 


 Na nota número 18 (abaixo) temos que Amador Fernandes Furtado, era filho de Jorge Fernandes Furtado e Catarina Alvarez.

 

Consultando Gayo, temos a informação de que AMADOR FERNANDES FURTADO, pai de Silvestre Furtado que era cristão novo, era filho de JORGE FERNANDES FURTADO e de CATARINA ALVARES, também eram cristãos-novos, sendo certo que CAMILA FERNANDES era tia de AMADOR, e, portanto, cristã nova. Fato esse que Gayo, no Nobiliário de Famílias de Portugal, pág., 295, fala que CAMILA FERNANDES DE ANDRADE, é avó de MARIA DE ANDRADE, casada com ALEXANDRE PEREIRA DO LAGO.

Há também uma habilitação familiar do Santo Ofício (maço 10, documento 113 de 1715) de que Alexandre Pereira do lago, sargento Mor em Vila do Prado, filho de Martinho Teixeira da Silva, neto materno de ALEXANDRE PEREIRA DO LAGO, da Vila do Prado, e Maria de Andrade Veloso, filha de Gregório Veloso Cerqueira e Branca Cardoso da Silva, de São Veríssimo, Tamel, Termo da Vila do Prado. Outro documento que confirma a origem de Branca como filha de CAMILA FERNANDES.

Na habilitação do padre FELIX DE ARAÚJO PEREIRA DO LAGO (14/06/1672), tio de ALEXANDRE e também de JERÔNIMO PEREIRA DO LAGO, era filho de Maria de Andrade,  neto de Branca  Cardoso e bisneto de CAMILA FERNANDES, consta ter ele afirmado que por parte de mãe tinha cristão novo, referente a sua bisavó, embora ele tenha tentando esconder essa origem já que os judeus, cristãos novos, mouros eram perseguidos na época e não podiam pertencer aos quadros da Igreja, que só admitiam aqueles "puros de sangue".

Na habilitação de JERÔNIMO PEREIRA DO LAGO, que está disponível on line no Family search - Processo de Habilitação Braga/Vila Verde/Cabanelas - Pasta 21855, 1754) ele diz ser cristão velho, sem judeu, mouros ou cristão novo. Todavia, isso não era verdade, mas se justifica por conta da perseguição que era tão grande em Portugal, que em alguns lugares como Barcelos e Guimarães esconder a origem judaica familiar (de ventre materno) era fundamental para a própria sobrevivência. Jerônimo diz ser neto paterno de Francisco Lopes e sua mulher Maria Pires e pela paterna de Felix Pereira do Lago (Abade) e Maria Francisca.

Também no processo de Inquirição de Genere de ADRIANO DE AZEVEDO, de 1691, consta ser filho de Gabriel de Azevedo e de sua mulher HIERÔNIMA DE ANDRADE VELOSO, natural da freguesia de São Veríssimo de Tamel e filha legítima de Gregório Veloso e sua mulher BRANCA CARDOSO, esta filha de CAMILA FERNANDES. O impedimento procedeu da via materna do então embargante e de sua bisavó CAMILA FERNADES e de DOMINGOS GONÇALVES (por se dizer que Hieronima e Branca eram sobrinhas das judias chamadas Ricas).

Essa é origem judaica sefardita da família PEREIRA DO LAGO ( também os descendentes  Pereira Gomes no Brasil) que vem do casal CAMILA FERNANDES e seu marido DOMINGOS GONÇALVES, o Pinta Diabos, que viveram em Barcelos/Portugal, que teriam  nascido por volta de 1550/1560.

 

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

JUDEUS EM PORTUGAL - A CONVERSÃO FORÇADA DE 1497

 

Inicialmente, devo registrar que há referências da presença de judeus na Península Ibérica desde a Antiguidade. Durante séculos os judeus que viviam no território que hoje conhecemos como Portugal e Espanha não tiveram maiores problemas. Mas, na medida que o tempo passava, tal comunidade prosperou devido, principalmente, ao grande comércio português, com participação significativa dos judeus. Tal situação gerou insatisfação na população não judaica, principalmente pelo fato das comunidades judaicas acumularem grandes fortunas e controlarem o comércio local.

O fato dos judeus terem religião própria, com suas tradições foi de encontro a fé católica, que culpava os judeus pela morte de Jesus Cristo. Somando-se a isso as grandes fortunas acumuladas por eles, baseada na usura que os judeus praticavam nas transações comerciais, o que via de regra, causava disputas econômicas e discórdias acabou por dar origem a uma série de acontecimentos que lhe foram desfavoráveis.   

Em 1492, os reis FERNANDO e ISABEL, emitiram o Decreto de Alhambra, expulsando os judeus dos reinos de Castela e Aragão, o que culminou em uma migração destes para as fronteiras com Portugal onde procuraram abrigo. Muitos refugiados esperavam que o decreto de expulsão fosse revogado, possibilitando assim o regresso a Espanha. Fato esse que não aconteceu.

Em 1496, D. Manoel I (apelidado de o Venturoso) de Portugal casou com D. Isabel I (filha dos reis católicos, Fernando e Isabel, que emitiram o decreto de expulsão dos judeus). Uma das condições do casamento era que o rei português devia expulsar os judeus de Portugal.

Já no mês seguinte ao casamento ele decretou a ordem de expulsão dos judeus (e dos mouros também). Caso não o fizessem seriam condenados à morte e todos seus bens seriam confiscados pela coroa. Uma época terrível para os judeus. Mas, tal decisão não foi muito bem vista pelo Conselho de Estado, vez que com a saída dos judeus de Portugal ocorreria também a saída de capitais do país, prejudicando a economia nacional.

Em consequência, temendo a derrocada financeira de Portugal o rei D. Manoel I ordenou que aqueles que se convertessem ao cristianismo poderiam permanecer no país. Dando o prazo para que esses judeus fossem batizados até a Pascoa de 1497. Os que não conseguiram fugir foram convertidos forçadamente.

Os que saíram do país levaram grande parte de suas fortunas, o que levou o rei em 1499 a proibir negócio (comércio) com os judeus e impedia os conversos de saírem do reino sem prévia autorização.

Muitos dos convertidos, chamados de cristãos novos (XN) conservaram a fé e as tradições judaicas, ou seja, continuaram a praticar o judaísmo ainda que em segredo, Só se convertiam na palavra.

Por conta de um incidente que ocorreu em abril de 1506, envolvendo um cristão novo e cristãos velhos, uma série de conflitos ocorreram. Muitos cristãos novos foram assinados, queimados em fogueiras e seus bens pilhados.  Massacres ocorreram em Lisboa. Arrombavam portas de casas, em busca de cristãos novos os quais eram queimados vivos. Mais de 3 mil pessoas morreram em apenas 3 dias.

Em Barcelos, cidade antiga da região do Minho (que desde 1177 já era mencionada) havia um “bairro” exclusivo de judeus, pelo menos desde 1369. Tal bairro estaria próximo ao Hospital, perto da praça da vila que tinha uma sinagoga. Na época da expulsão contava com dois rabinos, e a Judiaria de Barcelos ficava na Rua Nova, que depois chamou-se Rua dos Lanterneiros (atualmente Rua do Infante D. Henrique). À comuna judaica integravam-se um outro grupo de cristãos-novos vindos doutras localidades, notadamente Guimarães e Porto. Doravante, as fronteiras étnicas foram-se erodindo quer pelo casamento, quer pela conversão. 

O mais interessante documento conhecido, segundo Manuel Abranches de Soveral, sobre os nomes adaptados pelos judeus batizados é uma genealogia dos cristãos-novos de Barcelos, escrita nos finais do século XVI, onde se inventariam todos os cristãos-novos da cidade, começando cada família com o judeu batizado (cristão novo), dando o seu nome original e, logo após, o nome que então adotou.

Cabe ressaltar, que foi regra geral à época, os judeus convertidos terem adotado patronímicos portugueses. Naquele tempo, da conversão, a comunidade era pequena. Segundo consta, dois de seus membros eram vistos como Rabinos: Mestre Thomáz da Victória e Isaac Cohen, ambos casados e com grande descendência. Os outros eram Francisco Netto e a esposa Velida Ruiva, Micol e Junca Montezinho, Velida e Isaac Rua, Rica e Mosén Montezinho, os castelhanos Benvinda e Junca Bencatel; Salomão Pés e sua esposa Mazaltov (filha do Rabino Cohen) e o casal Orovida e Santo Fidalgo – personagens deste ensaio genealógico.

E de Rica, minha ascendência, a qual tratarei em outra postagem no blog.

A esses judeus se integravam um grupo de cristãos-novos, como a família dos “Piolhos do Rabo”, vinda de Guimarães; dos “Salta em pé”, os “Cains” e as irmãs tripeiras de Vitória Braga.  Através das alianças comerciais ou matrimoniais essas famílias permaneceram unidas, não sendo difícil encontrar várias entroncadas. Talvez seja pela hostilidade local, já eu odiavam os judeus, o fato é que essas famílias permaneceram unidas por muito tempo.

Um fato interessante é que sessenta anos depois desta Conversão, observado o prazo da tolerância para a inserção, a Inquisição prendeu 23 cristãos-novos oriundos deste grupo. Pelos depoimentos é possível constatar que ainda restavam traços do Judaísmo nestas pessoas (GUERRA, Luis Bivar). Quase todos ainda “guordava ho sábado milhor q. pudia”, “assendia as suas candeias” e vestiam “camisas lavadas”. Lembravam-se do Yom Kippur (Dia do Perdão), “não comendo senão hua vez a noute”. Jejuavam várias vezes, o jejum da Rainha Esther e “o da destruição do tempollo de Jerusalém (o 9 de Av). Observavam o Pessach (Páscoa). GUIOMAR FERNANDES casherizava (fazia a comida de acordo com as leis alimentares judaicas), “desnervava a carne”. Todos acreditavam que “não era vyndo o mexias”. Maria Zores acrescentava que “avia de vir ate ho anno de sessenta”.

Válido lembrar que era proibido o funcionamento de sinagogas, os textos sagrados do judaísmo, e, vedado alguém ser rabino. Mas, uma grande parcela desses cristãos novos continuaria a judaizar secretamente, ameaçando o catolicismo, sendo esta, inclusive a causa primaz para a instauração do Tribunal do Santo Ofício em Portugal a partir de 1536. Consequentemente, as principais vítimas (cerca de 80%), das quais mais de quarenta mil pessoas envolviam cristãos novos, em grande parte, acusados de judaísmo.

Muitos dos meus ancestrais, assim como de muitos brasileiros, descendem deles. Mais de 500 anos se passaram da conversão obrigatória de Portugal, e, foi por reconhecer a injustiça com esse povo que Portugal editou em 2015 o Decreto- leu 30_A/2015 que passou a conceder a nacionalidade portuguesa aos descendentes dos judeus Sefardita.

Pelo interesse na nacionalidade, muitos brasileiros foram atrás de suas arvores genealógicas até chegarem ao seu ancestral cristão novo (cerca de 12 a 19 gerações acima da sua) e buscam junto à COMUNIDADE ISRAELITA DE LISBOA (CIL) a certificação de ser descendente (condição primária para a concessão da nacionalidade portuguesa).

Em consequência, ocorreu um aumento de sites de genealogia e publicações de livros a respeito, pois como disse anteriormente, são muitos os brasileiros descendentes dos cristãos novos. Eu descendo de alguns, Pelas minhas pesquisas, pelo menos 5 - até agora- comprovados por documentos (postagens no blog).