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sábado, 20 de junho de 2020

SERIDÓ (RN) - ALGUMAS CONSIDERAÇÕES

SERIDÓ

Não é minha intenção discorrer amplamente sobre essa região do Rio Grande do Norte, mas apenas deixar registrado sua importância para a História e Genealogia.
Atualmente a região compreende 24 municípios
1- ACARI
2- BODÓ
3 - CAICÓ
4- CERRO CORÁ
5 - CARNAÚBA DOS DANTAS
6 -CRUZETA
7 - CURRAIS NOVOS
8 - EQUADOR
9 - FLORÃNIA
10 - JARDIM DE PIRANHAS
11- JARDIM DO SERIDÓ
12 - JUCURUTÚ
13 - LAGOA NOVA
14- OURO BRANCO
15 - PARELHAS
16 - SANTANA DO SERIDÓ
17 - SÃO FERNANDO
18 - SÃO JOÃO DO SABUGI
19 - SÃO JOSÉ DO SERIDÓ
20 - SÃO VICENTE
21 - SERRA NEGRA DO NORTE
22- TENENTE LAURENTINO CRUZ
23 - TIMBAÚBA DOS BATISTAS
24 - IPUEIRA

o SERIDÓ representa o berço de muitas das antigas famílias de colonizadores, por tal motivo vemos sua citação em muitas genealogias, como por exemplo dos descendentes de Tomaz de Araújo Pereira, considerado o ADÃO DO SERIDÓ, já que deixou inúmeros descendentes, sendo fácil encontrar pessoas que descendem dele, muitas das vezes mais de uma vez, pois os enlaces genealógicos com outras famílias povoadoras do Seridó foram muitos (DANTAS CORRÊA, AZEVEDO MAIA, MEDEIROS E LOPES GALVÃO). 
Convém ressaltar que a História aponta que além das relações de parentesco muita das vezes possuíam interesses comerciais comuns (CURRAIS DE GADO).
É importante destacar que antes da fixação desses colonizadores a Ribeira do Seridó era habitada pelos Canindés, Genipapo, Sucurus, Cariris e Pegas, os quais foram desalojados da região após a "Guerra dos Bárbaros" ** .
Os colonizadores do Seridó buscavam terras para a criação de gado, já que a partir de 1701 era proibida a criação de gado vacum a menos de 10 léguas do litoral, isso para proteger os engenhos e, consequentemente, não interferir na produção de cana de açúcar .
Assim, para seus currais os colonizadores do Seridó se apropriavam das terras antes pertencentes as populações étnicas  acima citadas, sendo que alguns dos seus sobreviventes foram aldeados.
Exemplo disso, o que muita gente não sabe, é que os Sucurus e Canidés foram para Aldeia de Santo Antonio da Boa Vista (atual município de Solânea/PB), que registra a presença deles em  pelo menos, em 1731, data constante nos mais antigos registros paroquiais que sobreviveram ao tempo (livros de Mamanguape) .
A rede familiar no Seridó é inegável. 
Atualmente, graças aos testes de ancestralidade genética podemos afirmar que os laços familiares entre os colonizadores foram até maiores do que se pensava.
Neste aspecto, preciso lembrar que não só de colonizadores descende o povo do Seridó, mas também das populações indígenas que la habitavam antes da chegada daqueles.
Gosto da genealogia genética . Fiz testes em algumas empresas que apontam correspondência genética com pessoas do Seridó.
Todavia, até agora não consegui fazer nenhuma ligação de antepassados comuns.
Mas, não descarto que o vínculo seja não do colonizador, mas sim dos Sucurus ou Canindes , ja que esses foram para Solânea, justamente onde muitos de meus avoengos moravam.
Mas, necessário muito estudo para concluir afirmativamente algo nesse sentido.
Por enquanto, sei que tenho alguma ligação com o Seridó (eu e a maioria dos potiguares e paraibanos).   

* - Nascido aproximadamente em 1701 em Viana do Castelo, Portugal e falecido em 1780.
** Pouco aparece nos livros de história. Foi uma serie conflitos e enfrentamentos entre os colonizadores e a população nativa (indígena)que durou quase setenta anos de 1650 a 1720) e que retardou a conquista das terras dos "sertões" pelos colonizadores.o 

domingo, 31 de maio de 2020

REGISTROS AVULSOS (BANANEIRAS/PB)

Batismo de Antonio, filho de Luiz Jose e Maria Roza de Lima, moradores no Buraco, padrinhos Joaquim Jose Damasceno e Senhorinha Pacifica do Carmo (11/10/1840)


Batismo de Maria, filha de Caetano Pinto e de sua mulher Anna Thereza em   19/01/1812, Caetano seria irmão de Manoel José Pinto  (vide postagem).




Galdino, filho de Francisco Alves Pequeno e Josepha Maria da Conceição . 14/04/1886


Pedro, filho de Manoel Jose de Farias e Maria (7/10/1840) Padrinhos José Alves da Silva e Rita Barboza de Jesus

Luiza, filha natural de Gonçala Maria do Nascimento (11/10/1840). Padrinhos Justino Nunes de Sou Francisca Maria de Jesus 

Felismina, filha de Severino Jose de Melo e Alexandrina Maria da Conceição (11/10/1840)
Padrinhos Manoel José Pinto  e Anna Quiteria 

Joaquina, filha natural de  Ignacia Maria de Jesus (11/10/1840). Padrinhos  Manoel Jose Pinto e Alexandrina Maria da Conceição 

Alexandrina e Manoel seriam irmãos> Não encontrei documentos que comprovasse o vinculo de parentesco,


domingo, 22 de setembro de 2019

JOSÉ BENTO DE LIMA

Minha família paterna é muito grande, daí ser quase impossível que venha algum dia a identificar todos os membros colaterais da minha árvore genealógica.
Casais ancestrais que tiveram 11, 14 ou 16 filhos e deixaram muitos descendentes. E, muito embora eu tenha norteado minhas pesquisas nos meus antepassados em linha reta, não posso deixar de registrar algumas linhas colaterais. 
Esse é o presente caso.
Trata-se dos descendentes de JOSÉ ANTONIO DE LIMA, nascido aproximadamente em   que foi casado com JOANA MARIA DA CONCEIÇÃO.  Dentre os filhos do casal JOSÉ BENTO DE LIMA, agricultor, que se casou, pelo menos duas vezes, sendo a primeira esposa IGNÁCIA MARIA DA CONCEIÇÃO e a segunda MARIA ANUNCIADA DE CARVALHO, filha de JOÃO RODRIGUES DE CARVALHO E de MARIA THEREZA DA ROCHA (da família Rocha de Bananeiras).


"Aos dezasseis de janeiro de mil oitocentos e setenta e cinco, nesta matriz as onze horas da manhã, observadas as celebrações canônicas, examinados na doutrina cristã, considerado tridentino uni em matrimônio os contraentes os parochianos JOSÉ BENTO DE LIMA e MARIA ANUNCIADA DE CARVALHO, elle viúvo que ficou por morte de Ignácia Maria da Conceição, ela filha legítima de João Rodrigues de Carvalho e da finada Maria Thereza da Rocha e lhes dei as bençãos nupciais, perante as testemunhas Miguel Rodrigues de Carvalho e João Francisco Pinheiro de Carvalho, digo, de Araújo e para constar fiz este registro"  

Registro de nascimento da filha Thereza em Bananeiras. Neste mesmo dia, o Comendador Felinto Florentino da Rocha e sua esposa foram testemunhas de outros nascimentos. Existindo indícios que MARIA ANUNCIADA era sua parente,  pelo lado materno através de sua mãe MARIA THEREZA DA ROCHA.

                    

"Aos trinta dias do mez de agosto do ano de mil oitocentos e noventa neste único distrito de paz do município de Bananeiras do Estado da Parahyba do Norte compareceu em meu cartório JOSÉ BENTO DE LIMA, agricultor, natural e residente no lugar da ALDEIA deste distrito de paz, filho legítimo de JOSÉ ANTONIO DE LIMA e JOANNA MARIA DA CONCEIÇÃO, já falecidos e, em presença das testemunhas abaixo nomeadas e designadas declarou que no dia vinte e cinco do dito mez e ano nasceu do seu legítimo matrimônio contraído no districto de Santa Cruz do Estado do Rio Grande do Norte com MARIA ANUNCIADA DE LIMA, filha legítima de MARIA THEREZA DA ROCHA E  JOÃO RODRIGUES DE CARVALHO uma criança do sexo feminino que foi batizada com o nome de THEREZA e foram padrinhos JOÃO MARQUES FERREIRA e Dona EMÍLIA SALUSTINA DAS NEVES, moradores desta cidade"

 São filhos conhecidos (até agora) de JOSÉ BENTO DE LIMA e MARIA ANUNCIADA  :
1) JOÃO
2) MARIA
3) ANTONIO
4) THEREZA

ANTONIO e outros filhos do casal se fixaram na ALDEIA (Solânea), local que foi a antiga ALDEIA DE SANTO ANTONIO DA BOA VISTA. Aldeamento dos índios Sucurus e Canindés do início do seculo XVIII. Onde existiu o antigo cemitério de Santa Thereza onde foram sepultados, por mais de 150 anos, os falecidos da antiga aldeia e primeiros moradores de Moreno (atual Solânea).
O nome do cemitério, como dito em outra postagem, foi uma homenagem a sua padroeira dos missionários religiosos que administravam a aldeia . Infelizmente, tal cemitério que poderia trazer material de muita pesquisa, inclusive de DNA ancestral, não existe mais.
Mas, a Aldeia ainda existe, apesar de se tratar de uma área rural de Solânea com poucos habitantes que nem de longe demonstra atualmente a opulência que viveu no passado.
Todos esses fatos sobre a Aldeia se fazem necessários de registro, vez que muitos dos meus ancestrais paternos  lá viveram (famílias Pinto, Borges, Oliveira e Souza). Todos aparentados por sucessivos casamentos, como é o caso de ANTONIO BENTO DE LIMA E MARIA ANUNCIADA, os quais também são meus parentes colaterais próximos, fato este devidamente comprovado geneticamente através de comparação dos resultados entre meu material genético e de descendente do casal.

Não encontrei ainda o casamento religioso deles, somente o civil , realizado em 11/10/1916, conforme demonstra a imagem abaixo.


"Aos onze dias do mez de outubro de mil novecentos e dezasseis as quatorze horas, nesta cidade de Bananeiras, Estado da Parahyba do Norte, em casa de residência do Doutor Juiz de Direito e de casamentos José Eugênio Neves de Melo, cuja casa tinha as portas abertas, perante o mesmo juiz, comigo oficial privativo do registro Civil de Casamentos e as testemunhas MANOEL SIMPLÍCIO DA SILVA PINTO , JOSÉ HERÁCLITO MENEZES PINTO, Isidro Placido Ramalho e José Leite Ramalho, receberam-se em matrimonio ANTONIO BENTO DE LIMA, filho legítimo de José Bento de Lima e de Dona Maria Anunciada de Lima, ambos falecidos, brazileiro, com trinta e dois anos, solteiro, agricultor, natural deste termo e residente no lugar "aldeia" também desse termo com Dona MARIA IDUINA DE OLIVEIRA, filha legítima de Idúino Olimpio de Oliveira e de Dona Joana Joaquina de Oliveira, brasileira, com trinta anos de idade, solteira, de serviço doméstico, natural de Santo Antonio, Estado do Rio Grande do Norte e residente no dito lugar Aldeia, os quais no mesmo pacto declaram que tinham antes do casamento os seguintes filhos: José, com quatro anos e onze meses,  Francisca, com três anos e seis meses de idade e João, com dois anos e quatro meses cujos seus três filhos ficavam legitimados pelo casamento que vinham de contrair. Declaram mais que não são parentes entre si, nem existe impedimento que os proibia de se casaram um com o outro e bem assim que se casavam pelo regime de comunhão de bens. Em firmeza do que eu Antonio da Silva Barbosa, official privativo do Registro de casamento lavrei esse termo, que vai assinado pelo juiz, pelas testemunhas Manoel Simplício da Silva Pinto e José Heraclito Menezes Pinto a rogo dos contraentes que não saberem ler nem escrever e pelas testemunhas do ato."
.
No registro podemos observar, além das filiações dos nubentes, que ANTONIO E MARIA ANUNCIADA moravam na Aldeia,  possuíam três filhos e as testemunhas foram MANOEL SIMPLÍCIO DA SILVA PINTO (nascido em 1871), filho de Antonio José Pinto e Joaquina Maria (neto de meu pentavô MANOEL JOSÉ PINTO) , e JOSÉ HERÁCLITO MENEZES PINTO (conhecido como Zezinho Pinto(, filho de João Teixeira da Silva Pinto e neto de Francisco Teixeira da Silva Pinto.
O fato das testemunhas do casamento civil terem sido da família PINTO não é mera coincidência . Na verdade, eram todos parentes e vizinhos entrelaçados com as famílias OLIVEIRA e LIMA .

O casal teve 11 filhos conhecidos : JOSÉ BENTO DE LIMA, FRANCISCO BENTO DE LIMA, JOÃO BENTO DE LIMA, PEDRO BENTO DE LIMA, JOAQUIM BENTO DE LIMA, GABRIEL BENTO DE LIMA, ANTONIO BENTO DE LIMA FILHO, OSCAR BENTO DE LIMA, TEREZA BENTO DE LIMA, MARIA IZABEL BENTO DE LIMA E RAFAEL BENTO DE LIMA.

ANTONIO faleceu em 1/09/1951, anos depois de MARIA IDUINA DE OLIVEIRA (1926). 

"Ao primeiro dia do mês de setembro de mil novecentos e cincoenta e um nesta cidade de Bananeiras, sede da comarca deste nome do Estado da Parahyba compareceu em meu cartório o senhor José Bento de Lima, casado, comerciante, natural deste município e residente nesta cidade a Praça Epitácio Pessoa e em presença das testemunhas abaixo nomeadas e assinadas declarou que ontem as quatorze horas e quinze minutos em domicilio próprio a rua coronel antonio pessoa nesta mesma cidade faleceu com assistência médica com consequência de diabetes seu pai de nome ANTONIO BENTO DE LIMA, de cor branca, do sexo masculino, casado, comerciante, natural deste município , com sessenta e sete anos de idade, residente que era nesta cidade, filho legítimo dos falecidos JOSÉ BENTO DE LIMA, natural que era deste estado e de Dona Maria anunciada de Lima, natural que era do estado do Rio grande do Norte, que o extinto deixou bens a inventariar , que o falecido não era eleitor registrado, que o falecido foi casado civilmente neste cartório com Dona Maria Iduina de Oliveira conhecida também por Maria Anunciada de Lima, de cujo consórcio deixa os seguintes filhos: JOSE BENTO DE LIMA, que é o declarante com trinta e nove anos de idade; FRANCISCO BENTO DE LIMA, com trinta e oito anos de idade;JOÃO BENTO DE LIMA, com trinta e sete anos de idade; PEDRO BENTO DE LIMA, com trinta e três anos de idade; JOAQUIM BENTO DE LIMA, com trinta e dois anos de idade; GABRIEL BENTO DE LIMA com trinta anos de idade; ANTONIO BENTO DE LIMA FILHO, com vinte e oito anos de idade; OSCAR BENTO DE LIMA, com vinte e sete anos de idade; TEREzA DE LIMA SOUZA, com vinte e seis anos de idade; MARIA IZABEL BENTO DE LIMA com vinte e quatro anos de idade e RAFAEL BENTO DE LIMA, com vinte anos de idade. Declarou, finalmente, que o sepultamento será feito no cemitério publico desta cidade."

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

AÇORIANOS NO BRASIL

fonte: internet  
OS AÇORES
Muitos brasileiros descendem, assim como eu, de açorianos. Mas, poucos conhecem a história de seus ancestrais.
Inicialmente, devo ressaltar que os AÇORES, chamado oficialmente de Região Autônoma dos Açores, são um arquipélago no meio do Oceano Atlântico, dotado de autonomia político administrativo ligado a Portugal.  
Da mesma forma que a Ilha da Madeira, o arquipélago dos Acores foi descoberto por conta das grandes navegações portuguesas e começou a ser povoado por volta de 1450.
As 9 ilhas (Terceira, São Miguel, São Jorge, Pico, Faial, Graciosa, Santa Marta, Corvo e Flores) atraíram muitos imigrantes. Sendo que parte desses seriam cristãos novos que foram obrigados a se converter devido as perseguições promovidas pela Inquisição da Igreja Católica, conhecida em Portugal como Tribunal do Santo Ofício e abrangia todos os territórios do Império Ultramarino português, incluindo obviamente Açores e Brasil.
A perseguição aos judeus em Portugal começou  por volta de 1458, se intensificando a partir de 1497.
Os emigrantes que iam para os Açores visavam ficarem livres das perseguições que ocorriam em Portugal continental. Contudo, nem sempre isso ocorria, pois muitos foram processados.
Um fato importante a ser considerado é que além do território açoriano ser limitado ocorreram muitas catástrofes como terremotos, secas e epidemias, embora tenha a população aumentado consideravelmente em pouco tempo, o que motivou a vinda de muitos açorianos para o Brasil.
A extensão territorial de nosso país, aliados a qualidade das terras e a inexistência de alguns fenômenos naturais como vulcões atraiam os açorianos, que chegaram aos montes entre 1541 e 1815). 
Segundo Gaspar Frutuoso a emigração mais significativa teria ocorrido na primeira metade do século XVII,  a partir de 1628 com a vinda de cerca de 500 casais de açorianos para o Brasil que teriam ido para o Rio e Maranhão.
O fluxo migratório continuou intenso nos seculos seguintes até o inicio do século XIX. Esses açorianos vieram com o objetivo de povoarem as regiões Sul e Norte do país, mas muitos se fixaram no Sudeste e também no Nordeste.
Na minha família, minha bisavó MARIA DAS MERCÊS BOTELHO DE MEDEIROS, nascida em São Miguel, só chegou aqui acompanhada dos pais e irmãos por volta de 1868, provavelmente atraídos por algum parente que chegara antes. Eles se fixaram no Vale do Paraíba e no sul de Minas Gerais.
Não pesquisei sobre os emigrantes de outras ilhas além daqueles que São de São Miguel, mas uma excelente fonte de pesquisa são os Fundos Paroquiais dos Acores que estão organizados por ilha, concelho e freguesia. De fácil consulta on line . Neles também será possível consultar   passaportes. 
Acrescente-se que quanto a genealogia da Ilha de São Miguel é obrigatória a consulta  da genealogia de Carlos Machado, Gaspar Frutuoso e Rodrigues Rodrigues.
Com tempo e paciência é possível encontrar registros de nossos ancestrais açorianos.   

domingo, 23 de setembro de 2018

GUARDA NACIONAL DE JARDIM DO SERIDÓ (1853)

Muitas das vezes me deparo com documentos que não necessariamente estão ligados à minha família. Contudo, como são fontes históricas, possuem valor inestimável para outras famílias. É o caso da lista da Guarda Nacional da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição do Azevedo (Jardim do Seridó) que encontrei quando pesquisava o rastro de Manoel Franco (Francisco de Oliveira), meu ancestral, cujo pai tinha o mesmo nome. 
Grande possibilidade do pai de Manoel Franco estar naquela localidade, pois em 1857 ele  já era falecido. Mas, não tenho como afirmar se era o mesmo. Entretanto, para preservar a lista para futuras consultas ou, quem sabe, ajudar outros pesquisadores resolvi publicar .
Eis a lista, com lugares, algumas datas de nascimento, profissões 

VILA
- Andre Curcino de Medeiros, 59 anos, professor
- Antonio Soares do Nascimento, 57 anos, criador
- Severino Xavier Pequeno, 52 anos, Criador
- Thomas de Aquino Pereira, 56 anos, ourives
- Luis de Magalhães Cirne, 52 anos , Cacheiro

RIO DO COBRA
- Antonio de Mello Azevedo, 51 anos, criador
- Bartholomeo Tavares, 52 anos, jornaleiro
- Jose Francisco de Azevedo. 57 anos, criador
- José de Azevedo Melo, 57 anos, criador
- Manoel José de Azevedo, 35 anos,  criador
- Sebastião Pereira do Rego, 52 anos, Criador

CRAÚNA
- Antonio de Araujo Ferreira, 58 anos, criador
-Jerônimo Gomes de Melo, 50 anos, criador
-João Ferreira Guedes, criador

SÃO PEDRO
- Francisco Soares da Silva, 54 anos, Criador
- João Medeiros, 50 anos, Criador
- Manoel Barbosa Pimentel - 55 anos, Criador
- Manoel Fortunato Garcia - 52 anos, Criador
- Pacífico Antonio Cordeiro, 57 anos, criador

SÃO JOÃO
- Joaquim Manoel de Oliveira, 53 anos, Criador
- João Batista de Avelar - 55 anos, criador
- Joaquim José Ribeiro, 50 anos, criador
- José Garcia de Morais, 50 anos , criador
- Pedro Garcia de Azevedo, 51 anos , criador

SÃO PAULO
- Joaquim Garcia do Amaral, 46 anos, criador
- José Pereira da Costa, 53 anos, Proprietário
- João Batista Pardo, 50 anos, Criador
- José Garcia do Amaral, 56 anos, Criador
Lourenço José de Medeiros, 54 anos, Jornaleiro
- Rodrigo de Medeiros Rocha, 52 anos, proprietário

RIACHO SÃO JOSÉ
- Antonio Vitorino de Medeiros, 59 anos, criador
- Andre Curcino de Macedo,51 anos, criador
- Cosme Damião de Medeiros, 51 anos , criador
- Joaquim Felix de Lima , 54 anos, criador
- Joaquim Belizario de Azavdo, 54 anos, criador
- MANOEL FRANCISCO DE OLIVEIRA, 51 anos, Jornaleiro (naquela época jornaleiro era a pessoa que trabalhava por tarefa, por safra ou mesmo por diária. Trabalhador rural). 
Esse pode ter sido meu ancestral que teria vindo da Paraíba, fugindo da seca e da epidemia de cólera. O pai de Manoel Francisco(Franco) de Oliveira . Em 1857 consta que já era falecido no registro das terras que tinha em Araruna, deixando viúva JOSEPHA, sua segunda esposa.  Contudo, não tenho nenhuma prova documental de que seja a mesma pessoa, até porque o nome parece comum. O fato é que esse ramo de minha família ao sair da Paraíba acabou por perambular em diversas cidades do Rio Grande do Norte. Manoel Franco de Oliveira, meu tetravô, contava uns 30 anos quando saiu da Paraíba, já casado e com filhos, quando foi para o RN. Foi um  retirante das secas.

ESPÍRITO SANTO
- Joaquim Candido de Medeiros, 56 anos, criador
- Manoel Barbosa dos Santos, 58 anos , criador
- Manoel Epitácio dos Santos, 53

PARELHAS
- Bonifácio José da Cruz, 58 anos, Criador
- Luiz Pedro de França, 58 anos, Curtidor
- Manoel Francisco do Nascimento, 55 anos, sapateiro
-Manoel Anselmo de Maria, 33 anos, criador

BOQUEIRÃO
- Antonio Torre de Azevedo, 37, criador
- Anselmo Pereira dos Santos, 57 anos, criador
- Francisco José de Santana, 59 anos, criador
- Luiz Rocha Lucas, 51, Criador
- Manoel Fernandes da Silva, 52 nos, Jornaleiro
- Manoel de Arruda Câmara, 58 anos, Criador
- Miguel de Azevedo Pessoa, 51 anos, Proprietário

JARDIM
- Antonio Pereira Cavalcanti 51 anos,, criador
- Antonio Baptista da Silva, 55 anos, criador
- José Bernardo da Silva, 55 anos, Criador
- João Ignácio de Medeiros, 53 anos, criador
- José Bento Casado, 52 anos, Criador
- Joaquim Moreira de Souza, 51 anos, Jornaleiro
- Cipriano José de Oliveira , 52 anos, criador

SÃO ROQUE
- Francisco Alves dos Santos, 52 anos, criador
- Gregório José de Sá, 67, criador
- José Francisco do Nascimento, 54 anos, criador
- Pedro Garcia de Araujo, 52 anos, criador

ANGICOS
- Felisberto José dos Santos, 56 anos,
- André dias de Carvalho, 51 anos, criador
- Antonio Bezerra de Peixoto, 60 anos
- Joaquim José dos Santos, 56 anos, criador

LAGES
- Carlos Tavares de costa, 56 anos
- francisco Gomes Ferreira, 56 anos, Criador
- Francisco Casado da Fonseca, 54 anos
- Francisco Manoel do Vale, 58 anos
- Manoel Barbosa da Fonseca, 52 anos
- Pedrpo Teixeira da Fonseca, 51 anos

DESTERRO
- Manoel Carneiro de Araujo, 55 anos, criador
- Manoel Alves, 54  anos
- Manoel Tavares da Costa, 51 anos
- Paulo Tavares da Costa, 56 anos
- Rodrigo Marques de Souza, 55 anos

segunda-feira, 25 de junho de 2018

SÃO JOSÉ DO CAMPESTRE- RN

Muitas das vezes em minhas pesquisas encontro documentos que são verdadeiras relíquias históricas por conterem informações que se perderam no tempo.
É o caso de um registro de terras, feito em 1857, que diz respeito à cidade de São José do Campestre, município localizado na microrregião da Borborema Potiguar e bem próximo da fronteira com o estado da Paraíba.
Trata-se do registro de terras feito por MANOEL NUNES DE OLIVEIRA e sua mulher UMBELINA MARIA DA CONCEIÇÃO, que declararam serem moradores do CAMPESTRE, do termo e Freguesia de Independência (antigo nome de Guarabira), e que eram senhores e possuidores de terras denominada LAGES, na freguesia de Araruna, termo de Bananeiras.
Sendo que ficavam " meia légua ao fundo do Rio Curimataú para o poente a contestar pelo Norte com terras de Joaquim Ancelmo e pelo sul com terras de Francisco Soares", que herdaram da falecida MARIA DO CARMO CAMPESTRE .
Vê-se assim que o lugar denominado "Campestre" já existia em 1857 e nele haviam moradores, sendo que a origem do nome muito provavelmente se originou do sobrenome da proprietária do local.
Pesquisei na internet e não achei nada a respeito. Toda a história "oficial" do município faz menção que a povoação do local começou a partir de 1890, ou seja, mais de 30 anos (no mínimo) após  seus primeiros moradores terem se fixado no local.
Não há registro nenhum sobre MARIA DO CARMO CAMPESTRE.  
  Abaixo o registro

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

ALGUNS ANTIGOS LOCAIS DE ARARUNA (PB)


Um interessante registro de terras feito por MANOEL NARCIZO RIBEIRO, no ano de 1857, aponta lugares em Araruna, alguns dos quais são identificados imediatamente uma vez que ainda hoje mantêm o mesmo nome, tais como o Jucá que é conhecido como sítio Jucá e Confusão, como Sítio Serra da Confusão. Rio Calabouço, que faz divisa entre a Paraíba e o Rio Grande do Norte, próximo ao Parque Estadual da Pedra da Boca no município de Araruna.
Não consegui localizar Alagoa Fria que pode ser o atual Sítio da Água Fria.
Na verdade, em Araruna aparecem nos registros como pertencentes à freguesia Alagoa Salgada, Alagoa de Dentro, Alagoa da Mata, Primeira Alagoa, Alagoa do Tapuya, Alagoa da Pedra, Alagoa da Carnaúba, Alagoa da Serra, Alagoa de Fora e mais algumas “alagoas” (lagoas), além de vários riachos, como esse da Cacimba da Oiticica citado no registro de terras, que também não consegui localizar, já que os principais afluentes do Rio Calabouço são Riacho salgado, Riacho do Limão, Riacho do Bola, Rio Salgado, Rio da Areia e Riacho do Cruz.
É importante ressaltar que algumas dessas lagoas podem estar localizadas em Dona Ignez, Riachão, Tacima ou Cacimba de Dentro, locais que pertenciam à freguesia de Araruna.

No passado a região era rica em águas e, em sua grande parte, com vegetação característica da mata atlântica. A paisagem atual encontra-se intensamente modificada, seja por conta dos fenômenos climáticos seja em grande parte pela ação humana.

O registro:

Manoel Narcizo Ribeiro e sua mulher Ana Maria de Jesus, moradores na Alagoa Fria desta freguesia, possuem nesta Freguezia d’Araruna, Província da Paraíba, uma parte de terras na dita Confusão, cuja extensão de terras são da barra do riacho Cacimba da Oiticica pelo rio Calabouço abaixo ao lageiro donde sai o caminho do Jucá, subindo dito caminho até a entrada da Confusão vai ao riacho que está a vista da costa do dito lugar confusão e segue a pedra das três listas sobe a mesma pedra, donde seguindo em frente para o norte irá ter outra pedra, que serve de extrema e dahi seguindo o riacho abaixo para confinar com Cacimba da Oiticica, cujas terras houverão por compra a Manoel Vicente de Souza e sua mulher Maria Joaquina da Conceição. Alagoa fria 25 de junho de 1857”.



domingo, 3 de dezembro de 2017

CRIAÇÃO DA PARÓQUIA DE SÃO TOMÉ (RN)

Criação da Paróquia de São Tomé/RN

Fazemos saber que de acordo com o prescrito pelo Código de Direito Canônico, com 216,416, 454,1451 a 1427,§§ 1° e 2°, levando em consideração as gravíssimas responsabilidades de nossa consciência na direção dos destinos espirituais do querido rebanho que juramos apascentar e defender, em pleno exercício de nossa jurisdição ordinária; havemos por bem desmembrar perpetuamente da paróquia de Santa Cruz, uma das mais habitadas desta diocese e erigir à categoria de paróquia amovível a Capela de Nossa Senhora da Conceição de São Tomé, cujo território será compreendido nos seguintes limites:
- Com a antiga paróquia de Santa Cruz, uma linha que partindo da Serra Verde ate Luzimadas, observando-se a divisão das águas e daí até a Serra dos Angicos, na estrada que se segue de Santa Cruz a Cotovelo, seguindo até a Lagoa do Mato, partindo dali até a Fazenda Santa Rosa de Lucero passando pelas fazendas Bom Descanso e Jacuri, de José da Silva que como a de Santa Rosa pertencerão à nova paróquia; a divisa contínua vai até encontrar os limites da paróquia de Macaiba abrangendo uma população calculada em nove mil almas.

Com todas as outras paróquias, os limites continuarão os mesmo que prevaleciam para a paróquia de Santa Cruz, da qual é esta desmembrada.

No intuito de fazer a conveniente sustentação do pároco e para o esplendor do culto divino os habitantes da referida paróquia contribuirão com os emolumentos e benesses fixados na tabela diocesana, podendo assim assegurar quam primam os inestimáveis benefícios de permanência de um pároco próprio para satisfazerem suas necessidades espirituais.
Mandamos, outrossim, a todos os fiéis, compreendidos no limites da nova paróquia,  agora erigida que reconheçam na pessoa do sacerdote por nós designados para dirigi-la, assim como seus sucessores canônicos, o que seu legítimo pároco.


O presente decreto de ereção será lido à estação da missa paroquial e registrado nos livros de tombo da nova paróquia assim como nos das paroquias limítrofes Santa Cruz, Currais Novos, Macaiba e São Gonçalo. Dado e passado nesta Episcopal Cidade de Natal em 2 de fevereiro de 1922. Antônio, Bispo de Natal. 

terça-feira, 23 de maio de 2017

A OCUPAÇÃO DE TACIMA (PB)

Para entender um pouco sobre os antigos sesmeiros das terras de Tacima temos que retroceder no tempo, até 7 de junho de 1703, quando da concessão da data de sesmaria a Antônio Freire.

Sesmaria 59 (PB) 7/6/1706
Antonio Freire, morador na Tamatanduba, termo da capitania do Rio Grande, diz que possui uma sorte de terras no rio curimataú, a qual com outros sócios alcançou no ano de 1674 do governador que então governava, Ignácio Coelho da Silva, sobre o que teve le suplicante sempre dúvidas com o capitão Affonso de Albuquerque, que vindo a capitania do rio Grande por ordem de S. M, o Desembargador Christóvão Soares Beirão, como juiz das datas e demarcações de terras, o fez citar perante o mesmo ministro para que apresentasse os títulos de terras, respondeu que esses tinham os herdeiros de João de Noralhas, e sendo também citados não acudiram a citação, por cuja causa fazendo-se também vistoria de observação de divisa desta capitania, se achou que a terra sobre que era a contenda nem pertencia aos citados, nem a capitania do Rio Grande, como tudo consta na sentença que juntou em que se declara por devoluta; pelo que pedia três léguas de terras de comprido e uma de largo entre o rio Curimataú Merim e o rio salgado na testada dele suplicante, começando a medir do sul para o norte, a qual já tem povoado sem contradição.”

Esse Antonio Freire seria neto do português Antônio Freire que junto com o cunhado Manuel Rodrigues  teriam recebido, em 30/03/1602, uma sesmaria que começava ao lado da Fortaleza dos Reis Magos e terminava no riacho Primeiro no Rio Grande (do Norte), ou seja, de família que estava arraigada na região há mais de cem anos.
Segundo consta esse Antonio Freire da capitania do Rio Grande do Norte exerceu a função de juiz ordinário em 1687 e pode ser o mesmo Antonio Freire Pessoa que era registrador de gado da capitania. Contudo,  é certo que ele deixou muitos descendentes, dentre os quais o seu neto JOÃO FREIRE CARNEIRO, que em 05 de maio de 1760 aparece como possuidor das terras que chamavam Tacima.

Eis o texto da sesmaria 533 (PB) –  05/05/1760
“sargento-mor João Freire Carneiro, morador em Tamatanduba, distrito da capitania do Rio Grande, diz que possuía uma sorte de terras, a que chamavam Tacima, que houvera por compra a vários herdeiros do defunto Antônio Freire, de que estava de posse a mais de 15, 20 e mais anos e por seus antecessores a 50 e mais anos, havendo alcançado a seu favor sentença de força nova contra Francisco Barbosa Camello que o quis esbulhar em parte da dita terra, e porque só tinha as escrituras de compra queria para seu título data de terra que pegava do Rio Salgado com um quarto de légua para o sul e daí buscando e correndo para o norte com três léguas de comprimento até o rio Curimataú merim e por outro nome Calabouço, e daí até os primeiros providos até se encher das três léguas de cumprido e uma de largo, meia para cada banda, com todas as águas vertentes que se acharem na compreensão da dita terra”.   
João Freire Carneiro  recebeu três concessões: uma no Trairi, em 1711 (RN 0100 ); - uma na Boca da Mata da Campina do Junco, em 1735 (RN 0411) e  uma em terras da Tacima, em 1760 (PB 0533).
 Nas cartas RN 0100, RN 0411, e PB 0533 o sesmeiro constava como morador na capitania do Rio Grande do Norte  sendo que nesta última carta o sesmeiro alegou que morava especificamente em Tamatariduba (Tamatanduba ou Timboatadiba)  distrito da cidade de Natal (atualmente localizado no município de Pedro Velho, onde até pouco tempo existia ruínas de uma capela, construída em 1688).
Registro que na carta PB 0533 o sesmeiro alegou que possuía a ocupação de sargento-mor., já na carta RN 0411 o sesmeiro alegou ser capitão e ser neto de ANTONIO FREIRE (PB 0059)  (Fonte Plataforma SILB).
Tacima foi fazenda de gado durante muito tempo. Lugar também de paragem para descanso do gado que era transportado dos sertões para o litoral.

O início da povoação foi a partir de 1800, quase um século após o início de sua exploração econômica por ANTONIO FREIRE, o qual foi o primeiro sesmeiro.. 

sábado, 15 de abril de 2017

PADRE ANTONIO GOMES RAPHAEL DE MELLO

PADRE ANTONIO GOMES RAPHAEL DE MELLO
Alguns dizem que era pernambucano e teria nascido por entre 1824/1832. Foi ordenado padre no Seminário de Olinda. 
Foi vigário em Serra de São Bento/RN (distante cerca de 60 Km de Santa Cruz) na década de 50 do século XIX e por volta de 1866 foi para Santa Cruz onde permaneceu como pároco até sua morte em 1890.
É bom salientar que entre 1851 e 1852 a sede da freguesia foi São Bento e não Santa Cruz. E, no período de 1853 a 1858 a sede da fregueszia foi Nova Cruz/RN, razão pela qual todos os livros paroquiais de Santa Cruz daquela época encontram-se em Nova Cruz/RN.
Esteve em Araruna no período de 1860/1866 (antes de ser nomeado para Santa Cruz). Sendo inúmeros os batismos que oficiou em Caiçara, que naquela época pertencia à Bananeiras, como o da imagem abaixo.

Foi proprietário de terras, algumas delas em Araruna em um lugar denominado Abreu, como comprova os registro abaixo.




"Digo eu abaixo assignado que sou possuidor de huma parte de terras no lugar denominado Abreu da freguesia d'Araruna, cujos limites  são os seguintes: pelo sul com terras de Tapuia, pelo norte com terras d'Alagoa da pedra, pelo nascente com Curimataú e pelo poente com terras d'Alagoa da Barrra. O padre Antonio Gomes Raphael de Mello "

sexta-feira, 31 de março de 2017

CAPELA DA SERRA DE SÃO BENTO/RN - REGISTROS DE 1823


SERRA DE SÃO BENTO/RN 


Na divisa do estado do Rio Grande do Norte com a Paraíba, a Serra do Pires, como era conhecida até metade do século XIX, teve seus momentos de glória no final do século XVIII, pois localizada em uma antiga estrada de boiadas.
Não confundir com outro município próximo, também na fronteira com a Paraíba, São Bento do Trairi, já que Serra do São Bento é de povoamento mais antigo.
Não é certa a data em que foi construída a capela, cujo orago - São Bento - deu o nome ao atual município potiguar. Mas, como a proliferação de oratórios privados e capelas na região ocorreu no início do século XIX, logo após a criação da paróquia de Nossa Senhora das Mercês de Cuité (PB) em 1801, é muito provável que o mesmo tenha ocorrido na Serra do Pires, ou seja, a capela deve ter sido nos primórdios do século XIX. No entanto, um antigo registro nos indica que sua construção foi em data anterior (1785, pelo menos).

"Joanna, filha de Rosa escrava de ... José Argolo natural desta freguezia foi baptizada na capela de São Bento ,filial desta Matriz llhe pos os santos oleos o Reverendo Francisco Rodrigues da Rocha de minha Licença aos quinze dias de julho de mil sette centtos e oitenta e sete, foram padrinhos Manoel Lopes da Silveira e Joanna Framcisca, solteiros".

Como são precários os registros em face da inexistência de muitos livros paroquiais que desapareceram ao longo dos anos, até agora só encontrei registros confiáveis  a partir do ano de 1823




"Aos sinco de novembro de mil oito centos e vinte e três corridos os banhos da naturalidade denunciados sem impedimento na Capella de São Bento da Serra do Pires, compareceu o Reverendo David Martins Gomes Delgado Freire ***e das testemunhas José Fidelis dos Prazerese Antonio José dos Santos de licença minha se receberão os nubentes Francisco da Silva, viuvo que ficou de Teodora e Joana Vicencia viúva que ficou de Manoel dias, residentes na Serra do pires na Forma do Cano."





Manoel Antonio e Anna Rita 14/12/1823 . T 


Antonio e Sabina. criolos, escravos de Liandro Martins Delgado(parente do padre David Martins que aparece como testemunha)  

Gonçalo da Cunha e Josefa Maria


*** O padre Davi (d) Martins Gomes Delgado Freire  morava em Serra de São Bento, mas tinha terras em Araruna no lugar denominado ABREU, como declarou em 1856 (vide post no blog). 
O padre já oficiava na região desde 1809, como comprova o registro abaixo de batismo de EUZÉBIA, realizado na Fazenda da Tacima. 

..A ele é atribuída a construção do Oratório de Tacima que acredito ter sido o embrião da futura capela. 

Padre Davi é descendente do Antonio Freire que recebeu a sesmaria em 1706; 


domingo, 24 de abril de 2016

A DEVOÇÃO A SANTA RITA NA CIDADE DE SANTA CRUZ/RN

Terra de Santa Cruz foi o primeiro nome dado ao Brasil pelos portugueses, o que denota a forte influência da religião sobre a cultura da época.
Na verdade, Igreja e Estado se confundiam. Somente em 1889 é que ocorreu a separação dos dois, mas até hoje o país é considerado o que tem maior número de católicos do mundo com aproximadamente 137 milhões.
Em Portugal era costume celebrar o dia de Santa Cruz (3 de maio). Nesse dia os fazendeiros eram orientados a erguerem cruzes, que enfeitavam e rezavam “ arreda e afasta satanás porque essas almas não são suas, ao dia de Santa Cruz direi mil vezes o nome de Jesus”.
Na segunda metade do século XVIII, alguns missionários capuchinhos, entre eles frei Teodore de Lucé, Padre Martin de Nantes e Frei Anastase, percorreram o sertão pernambucano, no brejo da Paraíba e interior do Rio Grande do Norte levando cruzes e edificando altares, sendo provável que o nome da cidade de Santa Cruz/RN seja oriundo de uma dessas cruzes, já que uma lenda diz que um missionário, ao visitar o local, teria mandado fazer uma grande cruz com os ramos de uma árvore chamada inharé e, ao lado, teria cavado um buraco ordenando que todos jogassem suas armas dentro, enterrando-as.
Se a origem do nome dado à cidade é incerta, o mesmo não se pode dizer da sua santa padroeira – SANTA RITA DE CÁSSIA, ou, como é popularmente conhecida Santa Rita das Causas Impossíveis.
Cabe ressaltar que, devido a fé católica, não é nenhuma surpresa a existência de um grande número de capelas e igrejas espalhadas em todo o Brasil, com características muito específicas em função do período de construção e da ordem religiosa.
No Brasil Colonial, alicerçada na fé e no poder milagroso dos santos, capelas foram sendo erguidas. Cada qual com um orago ou padroeiro – santo a quem os fieis dedicavam a localidade.
Em Santa Cruz/RN não foi diferente. Na capela erguida nas primeiras décadas do século XIX foi introduzida uma imagem de Santa Rita de Cássia, que virou padroeira da localidade. A religiosidade esteve presente nas procissões com andores enfeitados, rojões e uma multidão entoando hinos em louvor à santa. Nas procissões os fiéis pediam chuva, boas colheitas ou afastar doenças.

A maior festividade da cidade se encontra justamente na festa da padroeira Santa      Rita que acontece durante treze dias desde a criação da paróquia em 1835, encerrando-se no dia 22 de maio com a procissão.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

VEREADORES DE SANTA CRUZ/RN - 1937/1959

1937
José Pedro Bezerra
Alfredo Xavier Bezerra
José Rodrigues de Carvalho
José Ferreira Sobrinho
Francisco Pacheco de Lima
Manoel Casimiro Gomes
José Ataíde de Melo

De 1937/1947
Estado Novo onde foram dissolvidas as Câmaras Municipais.

1948
Miguel Arcanjo de Andrade
Antonio Raposo Goes de Melo
Antonio Orlando da Rocha
Joaquim Bezerra Cavalcante
João Vitor de Oliveira
José Francisco de Souza
Raimundo Furtado
Lourival Ferreira de Souza
Jonas Leite de Oliveira
Manoel Maria da Costa
Miguel Rocha Sobrinho
Cipriano Pacheco da Silva
Cícero Ferreira Cabral
José Ferreira Sobrinho

1950
José Borges de Oliveira
Luiz Bertoldo da Costa
Severino Farias da Costa
Manoel Amaro Filho
José Ferreira Sobrinho
Antonio Raposo Gomes de Melo
Cipriano Pacheco da Silva
José Fiuza Filho
Cícero Pinto de Souza

1955
João Batista de Medeiros
Manoel Macedo de Oliveira
José Ferreira Sobrinho
Antonio Raposo Gomes de Melo
Lourival Pedro de Lima
Augusto Fernandes Pereira
Francisco Anominandas Filho
Joaquim Bezerra Cavalcante
Benedito Zeferino Gomes
Margarida Gomes Xixi (primeira vereadora de Santa Cruz)
Cícero Pinto de Souza

1959
José Ivalter Ferreira
José Salustiano Dantas
Geraldo Pegado da Silva
Emanoel Lopes de Mendonça
Otacílio Raimundo de Souza
Augusto Fernandes Pereira
Francisca Moaci Freire da Rocha
Feluce Ferreira de Medeiros
Margarida Gomes Xixi
José Ribeiro da Silva
Pedro Galdino de Oliveira
Antonio Orlando da Rocha