quinta-feira, 28 de julho de 2016

UM POUCO DA HISTÓRIA DE MULUNGU/PB

Mulungu, surgiu da colonização portuguesa em terras outrora pertencentes aos índios que habitavam as margens do rio Mamanguape (Mongaguaba).
O significado da palavra  mamanguape  é controverso. Para uns significa “água pegajosa”, para outros significa “bebedouro” e, uma terceira corrente diz que seria “enseada dos mamangás (espécie de arbusto abundante na região).
O certo é que o rio Mamanguape, que percorre aproximadamente 170 km, teve uma importância histórica que não pode ser relegada, embora nem de longe atualmente seja o que foi no passado: um rio repleto de peixes e cercado de matas, com profundidade média entre 8 a 10 metros e largura de 60 metros, que contribuiu para a fundação de mais de 30 dos atuais municípios paraibanos.

No final do século XVI, a navegação em suas águas possibilitou o colonizador adentrar pelos “sertões”. Mas, é a partir de 1692 (século XVII), com o fim da Guerra dos Bárbaros, que ocorreu a fixação do “homem branco”, com os currais de gado em sesmarias doadas nas suas margens.

No século XVIII os engenhos se proliferaram, atraindo novos moradores, muitos dos quais portugueses. Mas, no início do século XIX, com as secas e as exigências governamentais para dos sesmeiros, a região foi sendo lentamente abandonada, resultando em seu quase despovoamento no início do século XX.
Mulungu, não fugiu à terrível sina. Ela teve seu auge entre 1740/1840. Mas, foi pouco a pouco se tornando um espectro de seu passado glorioso. Muito da sua história foi perdida ao longo do tempo. Não existem dados sobre os indígenas que foram seus primeiros habitantes.

É importante ressaltar que ao longo do rio Mamanguape existem várias inscrições rupestres. Sítios arqueológicos que ainda não foram explorados, desconhecidos dos habitantes locais que não percebem ou não conseguem distinguir uma inscrição rupestre de um desenho de uma criança.
Uma lástima. Pouco a pouco, como água que escorre entre os dedos, todo o material que serviria para pesquisas está sendo destruído, pela pouca ou nenhuma informação e interesse dos nativos. Assim, a história dos indígenas da região foi ou está sendo destruída sendo quase impossível de recuperá-la.
No entanto, ainda há tempo para o resgate da história dos “homens brancos”, ou seja, os colonizadores, pois existem muitos documentos disponíveis para consulta, como os registros paroquiais de Mamanguape que contém inúmeras referências aos locais e seus habitantes.

Quanto a Mulungu, a origem do nome parece ser de uma árvore da flora brasileira que chega a medir 14 metros de altura, florescendo entre julho e setembro, época em que as folhas caem e aparecem as flores de cor coral que podem ser vistas à muita distância. São várias espécies de mulungu, e os índios a usavam para fins medicinais e alucinógenos. Portanto, os locais onde havia abundância de mulungus eram apreciados pelos índios.
Não é certa a data em se iniciou o processo de fixação do colonizador em Mulungu. Pode ter sido com Domingo Piriz e seu curral de gado, mas o período com maior concentração de pessoas foi, sem dúvida, entre 1740 a 1840. Cem anos em que a localidade apresentou um crescimento admirável.
Os primeiros registros que apontam a existência de uma capela em Mulungu datam de 1763.
No entanto, como a fonte deriva de um dos poucos livros paroquiais que sobreviveram ao tempo é possível que a capela já existisse antes.

Como já falei em em outra postagem (Capela de Santo Antonio dos Mulungus - atual Mulungu/PB) , no livro Memórias Históricas do Rio de Janeiro e das Provincias Annexas à Jurisdição do Vice-Rei do Estado do Brasil de 1822, a capela é chamada de SANTO ANTONIO DO MOLUNGA ao invés de MULUNGU.
A confusão parece ter  uma explicação simples, pois em Moçambique, também de colonização portuguesa  a palavra molunga significa "brancos", ou seja, o autor utilizou-se de uma palavra que lhe soava familiar ao invés daquela que lhe era desconhecida.
O fato é que a capela cujo orago é Santo Antonio foi uma das mais antigas da região. 
Na cidade de Mulungu existe a Paróquia de Santo Antonio até hoje. Acredito que a atual igreja tenha sido edificada no mesmo terreno que acolheu a antiga capela. 

Dos antigos registros paroquiais, ressaltamos o do casamento de JOÃO PEREYRA DE OLIVEIRA e FRANCISCA MARIA de 9/2/1763. Realizado na capela de "Santo Antonio dos Mulungúz". Ele filho do Capitão Antonio Pereyra Correia e de Thereza de Jesus. Ela filha do capitão Antonio Fernandes Pimenta e Maria José de Oliveira. 
Testemunhas: Capitão Bento Cazado e Alferes João Casado.
Este registro mostra a presença das famílias PEREIRA CORREIA, FERNANDES PIMENTA e CASADO DE OLIVEIRA em Mulungu.  

imagem family search

Foi em Mulungu que viveu MANOEL JOZÉ PINTO casado com MARIA DE OLIVEIRA que acredito ter sido o pai ou avô de outro MANOEL JOZÉ PINTO - meu pentavô.

Neste registro de casamento de 9/2/1801 não é possível ler os nomes dos noivos, mas somente das testemunhas: José Casado de Oliveira Júnior e Manoel José Pinto
imagem family search

Casamento em 9/2/1877  de Manoel Rodrigues com Francisca.
imagem family search

O mais interessante é encontrar sempre registros do dia 9 de fevereiro. Mas, não sei ainda não encontrei explicação.  

sábado, 28 de maio de 2016

POVOS INDÍGENAS - CULTURAS DIFERENTES

Atualmente sabemos que os povos indígenas que habitavam o Brasil em 1500, ano considerado como o do descobrimento pelos portugueses, descendiam de populações que aqui se instalaram há dezenas de milhares de anos e ocuparam praticamente toda a extensão territorial que tem hoje o país.
Ao longo do tempo essas populações desenvolveram hábitos, fazeres, tradições e línguas diferentes, ou seja, se transformaram em diferentes culturas. Assim, é um erro se falar de “cultura indígena”, sendo o certo “culturas indígenas”.
Mas, pouco ou quase nada sabemos de muitas dessas culturas, pois o estudo da história desses povos é relegado em nosso país, denunciando assim o pouco caso que nós fazemos dos nossos ancestrais.
Digo nossos ancestrais no sentido de que a maioria dos brasileiros tem ascendência indígena, a qual contribuiu com os aspectos de suas culturas para a formação do que hoje se chama Brasil, país de muitos contrastes.
Mas, sem adentrar muito nesta seara, existe uma unidade em todas as sociedades indígenas que diz respeito a propriedade. De uma forma geral tais povos não têm noção do que seja propriedade privada da terra, embora reconheçam a posse de um território a partir do uso que fazem dele.
Uma posse coletiva em que as famílias podem utilizar igualmente todos os recursos existentes no território. Um socialismo primitivo que permitiu durante muito tempo a sobrevivência daquelas populações e, ainda preservada por poucos dos seus descendentes isolados em reservas indígenas.



domingo, 24 de abril de 2016

A DEVOÇÃO A SANTA RITA NA CIDADE DE SANTA CRUZ/RN

Terra de Santa Cruz foi o primeiro nome dado ao Brasil pelos portugueses, o que denota a forte influência da religião sobre a cultura da época.
Na verdade, Igreja e Estado se confundiam. Somente em 1889 é que ocorreu a separação dos dois, mas até hoje o país é considerado o que tem maior número de católicos do mundo com aproximadamente 137 milhões.
Em Portugal era costume celebrar o dia de Santa Cruz (3 de maio). Nesse dia os fazendeiros eram orientados a erguerem cruzes, que enfeitavam e rezavam “ arreda e afasta satanás porque essas almas não são suas, ao dia de Santa Cruz direi mil vezes o nome de Jesus”.
Na segunda metade do século XVIII, alguns missionários capuchinhos, entre eles frei Teodore de Lucé, Padre Martin de Nantes e Frei Anastase, percorreram o sertão pernambucano, no brejo da Paraíba e interior do Rio Grande do Norte levando cruzes e edificando altares, sendo provável que o nome da cidade de Santa Cruz/RN seja oriundo de uma dessas cruzes, já que uma lenda diz que um missionário, ao visitar o local, teria mandado fazer uma grande cruz com os ramos de uma árvore chamada inharé e, ao lado, teria cavado um buraco ordenando que todos jogassem suas armas dentro, enterrando-as.
Se a origem do nome dado à cidade é incerta, o mesmo não se pode dizer da sua santa padroeira – SANTA RITA DE CÁSSIA, ou, como é popularmente conhecida Santa Rita das Causas Impossíveis.
Cabe ressaltar que, devido a fé católica, não é nenhuma surpresa a existência de um grande número de capelas e igrejas espalhadas em todo o Brasil, com características muito específicas em função do período de construção e da ordem religiosa.
No Brasil Colonial, alicerçada na fé e no poder milagroso dos santos, capelas foram sendo erguidas. Cada qual com um orago ou padroeiro – santo a quem os fieis dedicavam a localidade.
Em Santa Cruz/RN não foi diferente. Na capela erguida nas primeiras décadas do século XIX foi introduzida uma imagem de Santa Rita de Cássia, que virou padroeira da localidade. A religiosidade esteve presente nas procissões com andores enfeitados, rojões e uma multidão entoando hinos em louvor à santa. Nas procissões os fiéis pediam chuva, boas colheitas ou afastar doenças.

A maior festividade da cidade se encontra justamente na festa da padroeira Santa      Rita que acontece durante treze dias desde a criação da paróquia em 1835, encerrando-se no dia 22 de maio com a procissão.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

VEREADORES DE SANTA CRUZ/RN - 1937/1959

1937
José Pedro Bezerra
Alfredo Xavier Bezerra
José Rodrigues de Carvalho
José Ferreira Sobrinho
Francisco Pacheco de Lima
Manoel Casimiro Gomes
José Ataíde de Melo

De 1937/1947
Estado Novo onde foram dissolvidas as Câmaras Municipais.

1948
Miguel Arcanjo de Andrade
Antonio Raposo Goes de Melo
Antonio Orlando da Rocha
Joaquim Bezerra Cavalcante
João Vitor de Oliveira
José Francisco de Souza
Raimundo Furtado
Lourival Ferreira de Souza
Jonas Leite de Oliveira
Manoel Maria da Costa
Miguel Rocha Sobrinho
Cipriano Pacheco da Silva
Cícero Ferreira Cabral
José Ferreira Sobrinho

1950
José Borges de Oliveira
Luiz Bertoldo da Costa
Severino Farias da Costa
Manoel Amaro Filho
José Ferreira Sobrinho
Antonio Raposo Gomes de Melo
Cipriano Pacheco da Silva
José Fiuza Filho
Cícero Pinto de Souza

1955
João Batista de Medeiros
Manoel Macedo de Oliveira
José Ferreira Sobrinho
Antonio Raposo Gomes de Melo
Lourival Pedro de Lima
Augusto Fernandes Pereira
Francisco Anominandas Filho
Joaquim Bezerra Cavalcante
Benedito Zeferino Gomes
Margarida Gomes Xixi (primeira vereadora de Santa Cruz)
Cícero Pinto de Souza

1959
José Ivalter Ferreira
José Salustiano Dantas
Geraldo Pegado da Silva
Emanoel Lopes de Mendonça
Otacílio Raimundo de Souza
Augusto Fernandes Pereira
Francisca Moaci Freire da Rocha
Feluce Ferreira de Medeiros
Margarida Gomes Xixi
José Ribeiro da Silva
Pedro Galdino de Oliveira
Antonio Orlando da Rocha

sábado, 12 de março de 2016

MUNICÍPIO DE SANTA CRUZ/RN - 1905

Afluentes do rio trairy: Feijão, São Bento, Pimenta, Cachorro, Barra, Canoas, Chapado, Glória, Inharé, Bento Nunes e Cachoeira.
Madeiras: aroeira, carnaubeira, baraúna, angico, p1arco, balsamo e pereiro.
Povoação: Jericó com 20 fogos e 100 pessoas
O município tinha aproximadamente 25 mil cabeças de gado bovino e 3 mil de cavalar, 263 fazendas de criação, 3 vapores e 22 bolandeiras de descaroçar algodão. 60 casas de fabricar farinha, 80 roçados, 14 estabelecimentos comerciais, 2 oficinas de carpinteiro, 2 oficinas de sapateiro, 1 de ferreiro, 1 de alfaiate.
Safra anual de algodão de 8 mil fardos de 5 arrobas cada um.
No lugar Caiçarinha do Carneiro a 18 Km da vila existe uma jazida de cristal de rocha
2 cadeiras de instrução primária. 62 alunos do sexo masculino e 31 alunas do sexo feminino.
Juízes distritais: Ezequiel Mergelino de Souza, Hermógenes Ferreira da Rocha e Antonio Alexandrino da Silva Tinoco
725 eleitores federais e 147 estaduais.
Intendentes: José Ferreira da Rocha, José de Machado Gomes, José Joaquim da Silva Perigel (Pinzel), Manoel Ferreira da Rocha, José Rodrigues de Carvalho, Miguel Emigdio da Costa Mendes e Lindolpho Franklin de Faria.

Fonte: Relatório dos Presidentes brasileiros



ALGUNS MORADORES DE SANTA CRUZ/RN - 1900 a 1920

Agripino Eloi da Silva
Alfredo Bezerra de Oliveira Lima
Alfredo Paulino de Oliveira Galvão
Alfredo da Silveira Barreto 
André Avelino  de Azevedo
Antão Pereira de Brito
Antonio Ferreira da Silva
Benedito Bento Rodrigues
Cassimiro Antunes de Lima
Elvídio da Costa Medeiros
Euclides Alexandrino da Silva
Ezequiel Mergelino de Souza
Félix Antonio de Medeiros Filho
Henrique Ernesto da Fonseca
Hermenegildo de Andrade Lima
Idelfonso da Silveira Barreto
João Francisco da Trindade
João Germano de Souza
João Rodrigues de Carvalho
José Antonio da Silva
José Joaquim Pinzel
José Rodrigues de Carvalho
José Xavier de Moura
Luis Egídio da Fonseca
Manoel Corsino da Silva
Manoel de Oliveira Confessor
Manoel Ferreira da Rocha
Manoel Franklin de Souza
Miguel Emídio da Costa
Miguel Joaquim da Cruz
Miguel Gomes de Andrade
Miguel Januário do Nascimento
Miguel Nunes de Carvalho
Nelson Barbosa de Carvalho
Rodolfo Franklin de Farias
Sinésio Pereira Guimarães
Vicente da Costa Medeiros

Vicente Marinho de Carvalho

sábado, 5 de março de 2016

FILHOS DE JOSÉ CUSTÓDIO GOMES E JOAQUINA PEREIRA DO LAGO

Filhos conhecidos de JOSÉ CUSTÓDIO GOMES (aparece como JOSÉ GOMES DE CARVALHO E JOSÉ GOMES) E DE JOAQUINA PEREIRA DO LAGO:
- MARIA PEREIRA GOMES
- JERÔNIMO PEREIRA GOMES
- MANOEL PEREIRA GOMES ( vide post no blog )
- TEREZA PEREIRA GOMES (nascida em 28/11/1847)

- ROZA (nascida em 27/05/1845)

- ANTONIO PEREIRA GOMES (nascido em 28/08/1850). Imigrou para o Brasil, onde faleceu no dia 27/03/1911 em Três Rios/RJ). Deixou descendentes.  

- ANNA (nascida em 17/9/1852)


* o número de filhos pode chegar a 10