sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

ESCOLA ESTADUAL QUINTINO BOCAIUVA - SANTA CRUZ/RN - 100 ANOS DE HISTÓRIA

Em 1864 foi criada a primeira cadeira de instrução primária para o sexo masculino em Santa Cruz, sendo seu primeiro professor Francisco Gregório Alves.
Somente em 1882 é que foi instalada a cadeira para o sexo feminino com a professora Joana Evangelista de Morais Barros.
Merece destaque o professor Hermilo Fernandes de Lima que durante 15 anos (1874 a 1889) lecionou e, Santa Cruz.
No entanto, o primeiro grupo escolar, criado pelo decreto n° 26 de 7/12/1914, foi o GRUPO ESCOLAR QUINTINO BOCAYUVA, que começou suas atividades em 1915, completando em 2015 cem anos de pleno funcionamento.
Hoje, com o nome de Escola Estadual Quintino Bocaiuva (ensino fundamental) continua funcionando no mesmo prédio localizado na avenida Cosme Ferreira Marques 105 no Centro.
O número de alunos que teve durante este século de atividades é impreciso, mas, sem dúvida, ultrapassa a casa de 20 mil, e o de professores mais de 200 o que demonstra sua importância para a história da cidade de Santa Cruz/RN.
Apesar de ser uma instituição de ensino centenária, parece que pouco ou nada tem sido feito pelo poder público para preservar sua memória. Desconheço qualquer ação neste sentido, mesmo em relação ao prédio em que funciona que guarda traços arquitetônicos da primeira metade do século XX.


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

GENEALOGIA - LINHAGENS ANCESTRAIS

O interesse pelos antepassados é a base da genealogia.
Montar a árvore genealógica, identificando cada linha ancestral é uma tarefa até certo ponto fácil quando retrocedemos apenas algumas gerações. Mas, a coisa se complica e vai ficando cada vez mais difícil.
O motivo é que o número de antepassados cresce exponencialmente a cada geração: 2 pais, 4 avós, 8 bisavós, 16 trisavós, 32 tetravós, 64 pentavós, 128 hexavós, e assim por diante.
Então, em 20 gerações, ou cerca de 500 anos, se considerado o intervalo de 25 anos entre uma geração e outra, teríamos 1.048.576 ancestrais? 
Não é bem assim, já que os casamentos endogâmicos sempre ocorreram, o que reduz muito tal número. Mas, mesmo assim ainda seria uma quantidade absurda de pessoas.
Certa vez, ao tentar calcular o número provável de descendentes de meu pentavô MANOEL JOZÉ PINTO, decorridos pouco mais de 200 anos do seu nascimento, me dei conta que seria uma tarefa impossível. 
Por outro lado, apesar de todo meu esforço para identificar cada um dos meus ancestrais, só completei até agora, 7 gerações e nesta linha um total de 52 indivíduos, isto porque na minha família paterna eram comuns os casamentos consanguíneos. 
É certo que, em algumas linhas (gerações), cheguei até 1650, mas, na grande maioria não passei do século XVIII.  Claro que eu só publico algo com base em documentos. Não dá para especular, como muita gente faz e acaba por criar uma árvore genealógica "fantasiosa".
Sei que a população estimada de Portugal em 1500 era de 1.200.000 habitantes. Portanto, é quase certo que eu descenda de grande parte deles. Como aliás descendem a maioria dos brasileiros, que, em consequência, são meus parentes ainda que longínquos. 
Outra coisa interessante, que muita gente esquece, é que os portugueses carregam no seu DNA séculos de "mistura genética" com outros povos europeus além do que os mais de 700 anos de convivência com os povos do norte da África e com os judeus deixaram suas marcas. 
Em resumo: quando dizemos que descendemos de Fulano ou de Beltrano é importante não esquecer que descendemos também de outros tantos.  Citar apenas um como se fosse o único é criar uma imagem totalmente distorcida da realidade.
Mas, o que a grande maioria quer mesmo é noticiar que descende de um personagem famoso da história, como é o caso dos descendentes de ANACLETO CORREIA DE FARIA, o Barão de Itaperuna, que, segundo foi noticiado recentemente pela mídia, querem provar que são descendentes de D. Pedro I, Imperador do Brasil, o qual teria tido um caso  com a escrava Faustina Jovita, mãe de ANACLETO.
 Mas, e seus ancestrais africanos de quem Faustina Jovita descendia? Parece que nunca existiram... 
Assim são as linhagens de algumas pessoas. Apenas um ancestral e está tudo certo. Mas, não é bem assim...

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

CONSIDERAÇÕES SOBRE A ESCRAVIDÃO

No Brasil a escravidão está associada aos negros que foram trazidos da África entre os séculos XVI e XIX (um período de 388 anos).
Sobre o tema existem muitas pesquisas que resultaram em excelentes obras que retratam historicamente o regime escravocrata. Contudo, me parece que poucos esclarecem alguns pontos que considero fundamentais para entender as diferenças regionais que foram estabelecidas ao longo do tempo.
Para tanto é preciso retroceder na linha do tempo para preencher a lacuna que existe quando se fala em escravidão, até porque a ideia de igualdade entre os “seres humanos” é muito recente se considerada a longa trajetória das civilizações (datando dos últimos 250 anos).  
Nesses mais de 20 mil anos, desde o aparecimento das primeiras culturas agrícolas e urbanas, muita coisa aconteceu em se tratando de escravidão.
Sempre existiu uma hierarquia entre os “dominadores” e os “dominados”. Os primeiros desfrutaram da liberdade e certa independência, enquanto os outros eram considerados “humanos” de uma classe inferior.
Na antiguidade tanto os assírios, hebreus, gregos, egípcios como os romanos possuíam escravos que eram geralmente capturados nas guerras.
Os escravos tinham um papel de muita importância em todas estas culturas sendo considerada a escravidão legítima e legal. Na Bíblia encontramos várias referências aos escravos e de como eram tratados.
Assim, podemos dizer com probidade que a escravidão é tão antiga quanto a própria história da humanidade.
Muito antes da chegada dos portugueses no Brasil várias etnias indígenas também praticavam a escravidão subjugando membros de outras tribos vencidas em guerras.
Na África não foi diferente. Tudo aconteceu da mesma forma. Na verdade, até hoje temos notícias que no Sudão existem milhares de escravos vivendo de uma forma indigna. Negros que escravizam outros negros. Nesse caso não se trata de diferenças raciais e sim diferenças sociais.
No Brasil a escravidão começa justamente com os indígenas e durou quase 200 anos, e só não se estendeu devido à posição protecionista dos jesuítas aos “negros da terra”, como eram chamados os índios.
Mas, em se tratando de escravidão sempre temos em mente os escravos negros vindos da África, os quais quase sempre são tratados como uma população homogênea quando na verdade isto nunca existiu, já que diversas nações com culturas diferentes foram escravizadas e trazidas para nosso solo.
Debret e Rugendas retrataram em suas telas as diferenças tribais dos negros de Angola, do Congo, Benguela, Cabinda e Mina dentre outras nações. Sendo fácil observar traços faciais diferenciados, como é fato que falavam línguas ou dialetos diferentes e apresentavam variantes culturais distintas.
Logo, o único traço que os igualava era o fato de serem africanos e negros (seres considerados inferiores na hierarquia social da época).
Por outro lado, a elite dominante era branca e de origem europeia (seres considerados superiores na hierarquia social ).
Mas, nem tudo foi sempre uma questão de “preto e branco”. As miscigenações ocorreram gradualmente, sendo fácil encontrar nos antigos registros paroquiais muitos exemplos, como no casamento de ANTONIO FRANCISCO DE BRITO com IGNEZ MARIA DA CONCEIÇÃO, ele pardo livre e ela branca (1798). 
 



Ou de Marcelino dos Santos, índio e Joana, parda cativa (1799).

 Grande parte dos brasileiros descendem das três "matrizes" (índios, negros e brancos). Mas, infelizmente, em se tratando de genealogia é muito difícil recuperar a linhagem genealógica senão aquela ligada aos "brancos europeus". A tecnologia tem ajudado de certa forma com a pesquisa de DNA ancestral que permite identificar a origem geográfica dos ancestrais, mas ainda é muito pouco para quem tem busca os seus antepassados.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

UM ITALIANO EM BANANEIRAS - FRANCISCO ANTONIO MARTINS

Notícia curiosa  publicada no jornal O PUBLICADOR de 30/01/1864 informa que:
" Na povoação de Araruna o italiano FRANCISCO ANTONIO MARTINS foi roubado na quantia de 4 contos de réis e para este fim arrombaram-lhe a casa. Recaindo suspeitas sobre Herculano Ferreira Lima, parente do subdelegado em exercício Antonio Ferreira da Costa Lima que imediatamente prendeu o seu parente e passou o exercício da subdelegacia ao seu suplente."

Consta que este FRANCISCO ANTONIO MARTINS era filho do italiano Martins Verindeiro (o nome parece que foi "aportuguesado"). Contudo, nenhuma confirmação documental encontrei até agora.
Mas, a existência de um italiano em Araruna antes de 1870 foi uma surpresa, pois a imigração italiana para as cidades do brejo paraibano e regiões vizinhas só ocorreu depois desta data. 
A opção dos italianos pelo Brejo Paraibano foi justamente pelo clima ameno favorável à agricultura.
Ainda hoje existem descendentes de italianos naquela região que desconhecem tal fato, uma vez que muitos de seus ancestrais simplesmente se "adaptaram" aos costumes da época, como por exemplo "aportuguesando" os prenomes  e sobrenomes.
Como parece ser o caso de MARTINS VERINDEIRO.
O sobrenome MARTINS é de origem portuguesa, mas também encontrado na Espanha como MARTINEZ. 
Na Itália, encontramos MARTINO, mas é muito difícil dizer como e quando a grafia original foi mudada no caso de estrangeiros.
Para os estudiosos de genealogia fica a dica.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

MARIA FRANCISCA DA CONCEIÇÃO - FILHA DE MANOEL JOZÉ PINTO

No testamento de MANOEL JOZÉ PINTO, datado de 1865, consta que tinha duas filhas com o mesmo nome, ou seja, MARIA FRANCISCA DA CONCEIÇÃO.
A primeira, casada com  JOÃO GOMES DOS SANTOS, encabeça a lista dos herdeiros, indicando ser a filha mais velha, fruto do casamento de MANOEL com sua primeira mulher ANNA JOAQUINA, nascida por volta de 1818.
E outra MARIA FRANCISCA DA CONCEIÇÃO, que é listada como sendo a de número 9 (dentre 14 herdeiros), logo após IGNÁCIO JOÃO PINTO, seu irmão que teria 18 anos na época ( nascido em 1846/1847). Então, por dedução, esta MARIA FRANCISCA, apesar de casada e já mãe, deveria ter 17 anos, nascida por volta 1848, já que não encontrei o registro correspondente de seu batismo e tampouco de seu casamento com FRANCISCO SEVERINO DE OLIVEIRA.
Nos livros paroquiais consta o batismo de MANOEL, filho de MARIA FRANCISCA DA CONCEIÇÃO E FRANCISCO SEVERINO DE OLIVEIRA, nascido no dia 12/10/1864 e batizado no dia 8/01/1865 em Bananeiras/PB. Sendo padrinhos JOSE PINTO DA SILVA (seu irmão) e sua mãe JOSEPHA MARIA DA CONCEIÇÃO.

imagem family search

Outro filho do casal foi CLAUDINO JOSÉ DE SOUZA, nascido por volta de 1870, que se casou em 14/02/1889 com FELISMINA MARIA DA CONCEIÇÃO (provavelmente sua prima de segundo grau), filha de MANOEL GOMES DOS SANTOS e  IDALINA BATISTA.

imagem family search


Considerando que as famílias eram numerosas é certo que MARIA FRANCISCA teve mais filhos, além de MANOEL e CLAUDINO (netos de MANOEL JOZÉ PINTO). Infelizmente, ainda não encontrei todos, até porquê, ao que tudo indica assumiram o sobrenome SOUZA, tal qual Claudino. 

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

HORÁCIO EMÍGDIO DE SOUZA PINTO - BISNETO DE MANOEL JOZÉ PINTO

HORÁCIO EMÍGDIO DE SOUZA PINTO - BISNETO DE MANOEL JOZÉ PINTO

Nasceu na cidade de Santa Cruz/RN no dia 17/01/1887
É um dos 16 filhos conhecidos do casal EMÍGDIO JOSÉ DE SOUZA PINTO e ISABEL FRANCISCA DE LIMA (também conhecida por ISABEL FRANCO DE LIMA).
Foi batizado no dia 03/03/1887 e seus padrinhos foram JOAQUIM JOSÉ DE OLIVEIRA LIMA (irmão do Capitão BENTO JOSÉ DE OLIVEIRA LIMA)   e sua mulher FEBRÔNIA MARIA BEZERRA DE LIMA.
                                                                                                                                                 Bento viveu em ARARUNA/PB onde se tornou um dos maiores chefes políticos da época. Negociante de café era dono de propriedades rurais tanto na Paraíba como no Rio Grande do Norte.Obteve a patente de CAPITÃO DA GUARDA NACIONAL.
Bento era casado com Maria Tereza, e tinha propriedade no Calabouço (Araruna). Era pai de JOAQUIM CAVALCANTE DE OLIVEIRA LIMA (NÔ LIMA).
Mantinha estreita ligação com a Villa de Santa Cruz/RN, onde seu irmão JOAQUIM JOSÉ DE OLIVEIRA LIMA, padrinho de HORÁCIO, que também tinha patente de capitão, faleceu em 1898 (segundo notícia publicada no Jornal a UNIÃO DE 19/12/1898). Joaquim era comerciante em Santa Cruz/RN e mantinha uma estreita ligação com EMÍGDIO, pai de HORÁCIO, sendo certo que tinha parentesco com a mãe dele ISABEL (provável que fossem primos).                                               

Imagem arquivo pessoal

HORÁCIO foi morar em Araruna/PB por volta de 1900.
Se casou em 30/07/1912, em Araruna/PB,  com FRANCISCA DANTAS DE MEDEIROS, filha de JOSÉ VICENTE DE MEDEIROS (membro da tradicional família MEDEIROS de Bananeiras/PB) e de LUCINDA MARIA DA CONCEIÇÃO. 
Foram testemunhas do casamento seu irmão HENRIQUE EMÍGDIO DE SOUZA PINTO e o Coronel JOAQUIM CAVALCANTE DE OLIVEIRA LIMA (filho do seu padrinho JOAQUIM JOSÉ DE OLIVEIRA LIMA).
HORÁCIO e seus filhos moraram em GAMELLAS.
Ele faleceu no dia 26/05/1952 em Araruna, época em que era viúvo.

Na certidão de óbito consta que tinha 6 (seis filhos). No entanto, segundo informações de seus descendentes eram 7 (sete).
RITA  PINTO(13/01/1918)
MARIA SOUZA PINTO (1/09/1920)
JOÃO PINTO DE MEDEIROS
PEDRO PINTO DE MEDEIROS
LUIZ PINTO DE MEDEIROS (21/04/1923)
ÁUREA SOUZA PINTO (08/05/1924)
LAURA SOUZA PINTO.

São conhecidos  25 netos de HORÁCIO nascidos entre 1948 a 1967 (o número pode ser maior), já que desconhecidos descendentes de dois de seus filhos.

Muitos descendentes dele ainda vivem em Araruna/PB.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

RIO SERIDÓ

"SERIDÓ - Rio que poderá ter 30 legoas de curso, nasce d'uma lapa ou gruta da Serra ds Cariris, no termo da freguezia de Patos, na Província da Parahiba, onde rega o districto da Villa de Brejo d'Areia.
No cabo de 8 legoas de curso nas terras d'esta província entra na do Rio Grande do Norte, dirigi-se para o nordeste, regando Villanova do Príncipe, e 8 legoas abaixo desta villa se incorpora pela margem direita com o rio Piranhas. Sobem por elle com carga os barcos até Villanova do Príncipe, e as canoas passão muito além e vão até a província da Parahiba." (Diccionário Geographico, Histórico e Descriptivo do Império do Brazil de J. C. R Milliet de Saint-Adolphe de 1845.)

Tal descrição, nem de longe, representa a importância do rio para os primeiros povoadores do semi árido. 
Como aconteceu com muitos dos rios do Nordeste, a degradação ambiental é causa do seu declínio em relação ao que representou no passado para os primeiros povoadores da região que hoje leva seu nome.

Para Câmara Cascudo a palavra Seridó tem origem indígena e significava sem folha (seri toh). Para outros sua origem seria marrana para justificar a presença de judeus na colonização do sertão.
Na verdade, a presença de sítios arqueológicos na região do Seridó é prova de que a mesma era habitada por nações indígenas pelos menos há 4000 anos, o que significa dizer que é muito mais provável de que o significa do nome que Câmara Cascudo apontou seja o verdadeiro. Todavia, não existe uma certeza disso.